Edição 150

Prazer de ler

Apresentamos, nesta edição, a autora Targelia de Souza Albuquerque, publicada pela Editora Prazer de Ler

Targelia de Souza Albuquerque

Eu nasci em Campina Grande, na Paraíba, mas sou recifense de coração. Nessa linda cidade, e a partir dela, vou construindo uma história de amizades, descobertas, desafios, sofrimentos e muitas superações.

Aqui, eu me vi menina, adolescente, jovem e construí uma história profissional bonita. Tenho muitas memórias! Em especial de minha meninice em uma família de onze membros: pai, mãe, quatro filhos e quatro filhas e uma irmã de criação, que integrou a família após a morte de meus avós paternos. Eu era a filha do meio. Era considerada uma criança diferente, desde o nome, Targelia, ao meu jeito de ser: ousada, inteligente, desafiadora, muito ativa, alegre, bondosa, respeitosa, amorosa com todas as pessoas e com um senso de justiça muito amadurecido.

Acervo da autora

Eu chamava a atenção por ser observadora, curiosa, por me entrosar com meninos e meninas sem preferências, amar e respeitar todas as pessoas das mais diversas idades. Gostava de fazer mimos com retalhos e escrever cartinhas amorosas para as minhas tias idosas e pessoas pobres que pediam coisas na porta.

Amava ler e estudar. Eu dizia que seria uma professora bem legal! Porém, eu fui descobrindo que o ato de escrever me fazia companhia e trazia felicidade. O meu desejo de ser professora crescia e se realizou com a formatura no curso pedagógico.

Nunca parei de escrever, mas minha escrita foi mudando quando entrei na faculdade. Durante a minha formação profissional humanística, percorri vários caminhos em diferentes localidades desse grande Brasil. Nessas caminhadas, conheci o educador Paulo Freire, sua história de vida e seu legado. Foram rápidos os contatos presenciais em conferências ministradas no Recife, mas intensos os mergulhos em seus textos e suas obras. Aos poucos, fui sentindo vontade de produzir literatura infantojuvenil, para além dos textos acadêmicos. Queria partilhar, com crianças e jovens, as histórias e experiências de vida do menino, adolescente e jovem Paulo Freire.

Não deixei de escrever artigos e livros sobre temas relacionados à formação do professor e à qualidade da escola substantivamente democrática, mas precisava criar literatura que estimulasse as crianças a conhecerem, compreenderem e desejarem vivenciar os princípios da Pedagogia Paulo Freire, que incita a comunicação dialógica, cruza ideias e afetos e aproxima pessoas.

Reprodução

Iniciei a jornada de literatura infantojuvenil. Reuni vários rabiscos de ideias e muitas anotações dos princípios freireanos e produzi quatro livros infantojuvenis no primeiro ano da pandemia do coronavírus: A abelhinha Zazá e o mistério do mel azul; Xô, Xô, coronavírus, seu lugar não é aqui; A revolução dos celulares; e Os pés nos quintais e os olhos no mundo: um menino chamado Paulo Freire.

Eu conto histórias para ser feliz, para juntar crianças, adolescentes, jovens e adultos, para provocar risos, para chorarmos juntos e descobrirmos que sempre haverá um belo arco-íris quando o céu escurecer e as nuvens encobrirem o sol. A escrita que circula se liberta de seu autor e fecunda novas possibilidades de criação. Ela é a expressão da amorosidade incondicional das palavras que semeiam o mundo de humanidade. Meu desejo é que crianças, adolescentes e pessoas adultas possam sonhar, partilhar sonhos. O sonho move as utopias que nos permitem seguir em frente, criar e recriar.

Quando caminhamos para realizar nossos sonhos, ele não é apenas nosso sonho, é sonho coletivo. E a Editora Construir fez esse sonho ser maior, publicou três dessas obras e abriu caminho a outras publicações. Gratidão pela possibilidade desse voo coletivo e emocionante.

“A escrita que circula se liberta de seu autor e fecunda novas possibilidades de criação.”

A Autora

Targelia de Souza Albuquerque é Doutora em Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP) e escritora de livros infantojuvenis publicados pela Editora Construir; autora do livro Os pés nos quintais e os olhos no mundo: um menino chamado Paulo Freire, publicado em homenagem ao Centenário de Paulo Freire pela Companhia Editora de Pernambuco (Cepe).

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