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Edição 126

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Espaço pedagógico

A comunicação como ferramenta de gestão escolar democrática

Irmã Maria Inez de Amorim

A POSSIBILIDADE DE GARANTIR AOS ESTUDANTES OS DIREITOS DE APRENDIZAGEM

 

126-espaco-pedagogicoColégio Imaculado Coração de Maria – Olinda/PE

 

126-espaco-pedagogico-1Resumo: Este estudo focaliza a contribuição da comunicação como ferramenta estratégica na realização da gestão escolar democrática. Admite-se que o estudo da comunicação na sua relação com a gestão democrática da escola pode contribuir para o seu fortalecimento, tendo em vista superar as fragilidades dos processos comunicacionais, na medida em que terá repercussão na cultura organizacional da escola, mobilizando e articulando as condições essenciais para garantir o avanço do processo socioeducacional da instituição de ensino e possibilitando a efetividade do aprendizado dos estudantes.

O trabalho expõe um projeto de inovação, configurado a partir da análise Fofa, correspondente ao modelo de análise Swot, pelo qual se identificam as forças, oportunidades, fraquezas e ameaças, propondo um plano de comunicação que traga inovação, supere as debilidades e potencialize as forças e oportunidades identificadas no âmbito da comunicação, podendo ali ser criada uma cultura organizacional da gestão democrática.

Palavras-chave: Comunicação; Gestão Educacional Escolar Democrática; Cultura Organizacional.

Introdução

Este texto tem como objetivo o estudo do processo comunicacional da equipe de gestão pedagógica do Colégio Imaculado Coração de Maria, em Olinda/PE, no Nordeste do Brasil — escola filantrópica de Ensino Básico privado, e visa o delineamento de um projeto de inovação que viabilize a comunicação entre os diversos setores da instituição, dando visibilidade ao projeto pedagógico da escola em toda a sua magnitude. Essa instituição propõe como missão:

Formar o cidadão para o exercício da autonomia responsável, buscando na regra beneditina o exercício do diálogo, da escuta e do equilíbrio para construir e desenvolver habilidades de ouvir, interpretar e interagir com o senso crítico através da integração dos esforços de educadores, alunos e famílias, de forma que todos possam ensinar e aprender os fundamentos da cidadania, da democracia e do convívio social (REGIMENTO DO COLÉGIO IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA, 2018, p. 5).

A escola adota uma concepção democrática de gestão pautada na escuta e no trabalho colaborativo, em que a interação dos sujeitos que a compõem e o seu engajamento na tomada de decisões, no que se refere ao pedagógico e ao administrativo, são essenciais.

A comunicação se configura como objeto de estudo na medida em que problematizamos as práticas comunicacionais realizadas, tendo em vista o cumprimento da missão educativa.

Analisamos quais práticas são desenvolvidas e as suas forças e suas fraquezas, como circulam as informações e através de que meios e de que forma geram confiança, integração, engajamento e colaboração enquanto princípios que potencializam a atuação da gestão democrática.

Para a realização do estudo, efetuamos uma revisão de literatura a partir de autores como: Matos (2009, p. 2); Brum (2010, p. 40); Luck, (2008, 2011 e 2014); Kunsch (2003, p. 159); Pasqualini (2006, p. 36); Likert (apud Chiavenato, 2004, p. 126); e Chiavenato e Sapiro (2003, p. 188).

Como metodologia, recorremos a um questionário de perguntas fechadas para análise Fofa, que corresponde ao modelo de análise Swot, para se identificarem forças, oportunidades, fraquezas e ameaças e verificar a posição estratégica sobre o aspecto da comunicação, procurando entendê-la enquanto fator importante para o fortalecimento da gestão educacional do colégio. O modelo de análise possibilitará a criação de um plano de inovação da comunicação na gestão, visando a superação das fragilidades e potencialização das forças na dinâmica da comunicação interna da escola.

Utilizamos, ainda, uma pesquisa bibliográfica e qualitativa. Realizamos reuniões presenciais e virtuais, bem como a aplicação de questionários físicos e via formulários online. O trabalho contempla, no primeiro capítulo, o diagnóstico institucional em sua realidade externa e interna, em que são identificados problemas e realizadas análises que norteiam a proposta de inovação.

O segundo capítulo traz a formulação do problema pautada na abordagem da inovação para que os objetivos sejam alcançados, o que determina as ações subsequentes e justifica a importância da comunicação no fortalecimento da gestão pedagógica, bem como da cultura e do clima organizacional.

O terceiro capítulo aborda fundamentos teóricos que embasaram o projeto de inovação proposto neste estudo, discutindo a comunicação na sua relação com a gestão democrática, a cultura organizacional escolar e seus desdobramentos na relação com a família e o uso de redes sociais.

O quarto capítulo apresenta o desenho da inovação educativa, sua descrição geral, bem como os destinatários da inovação, as estratégias, as atividades, os recursos, o cronograma e o monitoramento das ações.

O capítulo quinto elucida os resultados previstos e não previstos da inovação educativa, com seus condicionantes, discussão dos resultados, avaliação e reflexão acerca das habilidades e competências que este trabalho permitiu desenvolver para consolidação teórica e prática.

O estudo conclui que a comunicação na gestão educativa escolar democrática se coloca como possibilidade de inovação impulsionadora da fluidez dos processos comunicacionais, base para o estabelecimento de um clima organizacional de confiança, integração, engajamento e colaboração. Alcançar esse nível será alavancar valores que fortalecem a atuação da gestão, o que impactará na qualidade do ensino.

Fundamentação teórica

Partimos da compreensão de que o acesso à informação é um princípio que credita ao cidadão o direito de informar, de se informar e de ser informado, como rege a Constituição Federal Brasileira de 1988 (BRASIL, 1988), o que nos leva a aprofundar o significado e sentido da comunicação na sua concepção neste estudo.

Como direito, a comunicação se intensifica através das práticas comunicacionais em ambientes escolares, que podem acontecer por diferentes meios, utilizando-se de tecnologias em vários formatos, linguagens, materiais e expressões. Esse campo contempla quadro de comunicados e avisos, lousa, convites, faixas, mural, Twitter dos alunos socializando informações, produção de uma rádio na escola com atividades docentes e discentes em sua programação, entre outros.

Segundo Matos (2009, p. 2), o conceito de comunicação é “[…] tornar comum, partilhar, repartir, trocar opiniões”. Ferreira (2004) acrescenta que comunicar quer dizer associar, estabelecer comunicação entre, ligar, unir, compartilhar e tornar comum. A comunicação é a base dos relacionamentos humanos; por meio dela, ocorre a socialização das informações e dos pensamentos.

No âmbito empresarial, a comunicação garante o alinhamento dos profissionais aos objetivos a serem alcançados e ajuda na mediação de conflitos. Pasqualini (2006, p. 36) define a comunicação interna como determinante para manter a “saúde organizacional”, já que tem a finalidade de fazer circularem as informações.

Na visão de Pimenta (2010), comunicar-se é desafiador, complexo e fascinante, interfere na qualidade de vida pessoal e profissional. A imagem que a instituição veicula, bem como seu sucesso, tem relação com o nível da comunicação que estabelece.

O processo de comunicação se realiza conforme os seguintes elementos constitutivos: emissor e receptor; mensagem e decodificação da mensagem. Ressaltamos que nem sempre a comunicação se processa de forma harmoniosa em vista de perturbações advindas do ambiente externo e interno. Trata-se de ruídos que, conforme Gessner (2007), constituem perturbações indesejáveis, provocam danos ou desvios na mensagem; é tudo aquilo que, durante uma comunicação, faz com que o receptor não entenda o que está sendo transmitido.

Ruídos no processo comunicacional no âmbito do emissor e receptor podem ser de ordem psicológica, quando envolvem o estado mental e emocional, como preocupação, estresse e descontentamento; de ordem perceptual, quando diz respeito à percepção de mundo e de pessoa; e em se tratando do ambiente, com excesso de barulho, pouca luz e movimento de pessoas. Quanto à mensagem, o tipo de linguagem e de vocabulário utilizado, a sequência lógica e a velocidade da emissão merecem atenção. Padronizar a comunicação envolve respeito pela linguagem, dom, capacidade de ouvir, empatia, sinergia, interesse e ambiente em que o outro se sinta à vontade para falar.

Mendonça (2009) explica que ruídos de comunicação normalmente são causados por fatores como ambiente adverso e poluição sonora. O excesso de pessoas circulando pode distrair a atenção do receptor e comprometer a recepção da mensagem. Falta de concentração, linguagem inadequada e temas que não despertam interesse também causam ruídos.

”A divulgação das informações e dos acordos firmados em reunião escolar ampliam os processos democráticos na ação educativa. A circularidade das informações, além de tornar fluida a comunicação, contribui para desenvolver o sentimento de pertencimento e promove engajamento.”

Compete à gestão escolar defender o direito à informação e o dever de tornar públicas as de interesse coletivo, e, para isso, é importante a definição de processos de comunicação no ambiente escolar. Nesse contexto, situa-se o Projeto Político-pedagógico (PPP) como instrumento de participação e de gestão democrática.

A estrutura física — sala de aula, refeitório, corredores, sanitários e recepções — que compõe a escola é espaço de diálogo, logo pode ser pedagogicamente e intencionalmente usado como ambientes comunicacionais.

Ambientes físicos e digitais, como muros, paredes, internet, computadores e sala de rádio e de vídeo, podem ser utilizados como espaços comunicacionais nos quais a comunidade escolar registra ideias, pensamentos, sentimentos, informações e expressões.

Os ambientes comunicacionais podem ser analógicos ou digitais, disponibilizados presencialmente ou a distância, eletrônicos ou não, produzidos individual ou coletivamente, sendo todos materiais que apresentam informações, comunicam algo a uma ou mais pessoas e geram interações diretas ou indiretas. Podem conectar um ou mais espaços de comunicação dentro ou fora da escola, presencialmente ou virtualmente. Nesse contexto, abordamos, agora, a comunicação e gestão escolar democrática.

Comunicação e gestão escolar democrática

A circularidade das informações contribui para a consolidação de processos democráticos em que a gestão compreende o direito à informação como base da participação cidadã (OLIVEIRA, 2014). A prática da gestão escolar se atenta ao princípio do direito à informação e torna comum os problemas, as soluções e os projetos, tais como a Proposta Pedagógica, os atos dos conselhos escolares e de classe e do grêmio estudantil, que são instrumentos de gestão democrática.

A gestão é conceituada por Luck (2009a, p. 1) como sinônimo de fortalecimento da democratização do processo pedagógico, de participação coletiva nas decisões e de compromisso com resultados educacionais.

126-espaco-pedagogico-2Na perspectiva de Saviani (2000, p. 208), o gestor, que é por excelência um educador, tem a função de garantir o fazer educativo, razão de existir da escola. Uma educação para a inovação supõe modelo de gestão proativa, que se coloque a serviço da comunidade escolar e se mantenha aberto às discussões acerca de melhores metodologias que possibilitem constante atualização dos educadores. Os gestores dispõem de espaços físicos e instâncias democráticas: conselho escolar, conselho de classe, grêmio estudantil, sala de aula, podendo inscrever mais vozes nas deliberações públicas, gerando mais informação, mais comunicação e mais participação, como, por exemplo, representantes de pais. Assim, os ambientes comunicacionais se tornam relevantes para garantir a todos o direito às informações.

A comunicação como ferramenta de gestão escolar democrática contribui para a fluidez das informações, potencializando o diálogo, que requer a habilidade de falar a língua da organização, agir de acordo com os valores da instituição e canalizar seus esforços para alcançar as metas e obter os resultados desejados.

Luck (2014) defende o modelo de organização grupal, elo de veiculação entre diferentes grupos de trabalho, o que proporciona a dinâmica das relações. É nesse sentido que tratamos a seguir da concepção de comunicação na relação entre família e escola e o uso das redes sociais.

Comunicação na relação entre família e escola e o uso das redes sociais

A qualidade da sinergia estabelecida entre a família e a escola consiste no horizonte da realização dos objetivos educacionais, bem como para a organização do desempenho das pessoas na escola (LUCK, 2011).

O Papa Francisco, ao afirmar que quem dialoga é capaz de construir vínculos, corrobora a relevância da comunicação na relação entre família e escola e o uso das redes sociais.

Lahire (1997) considera a comunicação na relação entre família e escola no contexto midiático como um meio socializador que coexiste numa relação de interdependência.

Os canais e os espaços de comunicação, quando utilizados adequadamente, contribuem para engajar as famílias nas atividades e nos projetos da escola.

O uso pedagógico das ferramentas tecnológicas no contexto da pandemia da Covid-19 foi um forte aliado e mediador da relação família-escola. A família, por sua vez, conseguiu desempenhar sua função social de ser a primeira escola dos valores humanos, na qual se aprende o bom uso da liberdade, da socialização e de relacionamento pautado na escuta, na partilha e no respeito, normas básicas de convivência.

À escola, convém contribuir para que o estudante sinta o mundo e a sociedade como ambiente familiar, no qual ele aprende a habitar, além dos limites da própria casa, também mediado pelo uso responsável das redes sociais, que são favoráveis à comunicação sem fronteiras.

A pandemia provocou a necessidade de reaprender a escutar, a ousar e a entender que, em sala de aula ou do outro lado da tela, muito mais que alunos, temos almas humanas, sedentas de saberes, de novos conhecimentos, mas, principalmente, de sentido de vida.

O cenário de distanciamento social deu margem à reflexão sobre as condições de acesso e ambientes propícios à aprendizagem, as dificuldades de acompanhamento do desempenho da aprendizagem no ambiente familiar, assim como os impactos enfrentados pelos profissionais da educação.

Acentuam-se as desigualdades e o retrocesso na perspectiva de uma escola para todos, com iguais condições de acesso e permanência. Igualdade precisa dialogar com equidade, no entanto as crianças chegam à escola em condições desiguais, não por serem incapazes, mas por não estarem na mesma posição de igualdade; inclusive, muitos pais não são escolarizados. Reforça-se o que Paulo Freire e tantos pedagogos e educadores mostram: que a escola é, sim, o lugar de construção humana, o que supõe saberes escolares.

Paulo Freire (1992) já nos ensinava que uma educação problematizadora deve buscar desvelar interesses que estão em jogo nos processos de opressão e, a partir de uma dialética da denúncia e do anúncio, promover uma Pedagogia da Esperança, no sentido do esperançar, de um agir transformador da sociedade. Se pensarmos a educação como libertadora, este pode ser um momento rico para que reflitamos sobre o próprio papel da escola, de seus currículos e da relação escola-família.

Conforme conceitua Carbonell (2002), conhecimento deixou de ter uma perspectiva local para assumir um caráter global, através da tecnologia emergente e dos sistemas já estruturados de redes nacionais e globais de investigação. Logo, a incorporação de tecnologias ao fazer educativo exigiu o redirecionamento da gestão, assumindo mudanças em suas estruturas para implementar processos de inovação na produção e socialização de conhecimento e proporcionar maiores oportunidades de desenvolvimento social. O exercício da gestão mediado também pelo uso das redes sociais consegue estabelecer o diálogo família-escola.

Objetivo geral

Desenhar um sistema de comunicação que dê visibilidade e clareza para a operacionalização da gestão democrática do Colégio Imaculado Coração de Maria.

Objetivos específicos

• Elaborar estratégias de comunicação que favoreçam o diálogo entre os membros da equipe gestora da escola.
• Normatizar o processo de comunicação delineando seu fluxo de desenvolvimento.

Por uma ação comunicacional que ilumine a atuação da gestão, no sentido de fomentar atitudes e práticas que garantam a realização da missão educativa do colégio, máxima expressão de seu projeto pedagógico, a elaboração de estratégias de comunicação favoráveis ao diálogo entre os membros da equipe gestora foi um objetivo específico, como meio de superação da fraqueza identificada. Para tanto, lançamos mão das potencialidades diagnosticadas, bem como de profissionais com o feeling específico para coordenar o departamento de comunicação. Mapeamos os canais e os espaços disponíveis para o trabalho comunicacional.

A normatização e o delineamento de desenvolvimento do processo de comunicação se deu mediante a definição das funções dos integrantes do departamento. Nossa inspiração foi o Papa Francisco. Ele nos exorta a respirarmos a verdade das histórias que edifiquem, em meio à confusão das vozes e mensagens que nos rodeiam. Temos necessidade de uma narração humana que nos fale de nós mesmos e da beleza que nos habita; uma narração que saiba olhar o mundo e os acontecimentos com ternura, conte a nossa participação num tecido vivo, revele o entrançado dos fios pelos quais estamos ligados uns aos outros.

126-espaco-pedagogico-3Estabelecemos políticas de produção, tratamento, publicação e divulgação de informações, como também do uso dos canais, dos espaços, das ferramentas e dos equipamentos disponibilizados para as ações. A meta do Departamento de Comunicação, Tecnologia e Marketing é fortalecer a identidade e a imagem positiva do colégio, compartilhar sua história, sua missão, sua visão, seus valores, sua filosofia, suas políticas e suas atividades pedagógicas, bem como estruturar toda a comunicação externa e interna da instituição e planejar, implementar, gerenciar e avaliar as diversas ferramentas de comunicação utilizadas, a fim de que o sistema de comunicação dê visibilidade e clareza para a operacionalização da gestão democrática escolar do colégio.

Metodologia

Questionário e análise Fofa foram os instrumentos metodológicos utilizados para obter o diagnóstico institucional acerca dos problemas de comunicação interna. O questionário foi aplicado através do Google Forms: https://docs.google.com/forms/d/1KSICTIj9YFr6DqLOUr1cx0YkWuMkVxxJd3S0- J8_9WA/edit?edit_requested=true, técnica de pesquisa composta de 6 (seis) questões objetivas.

A escolha da aplicação de questionário como instrumento metodológico para as triagens iniciais e posterior avaliação do plano de inovação foi baseada em alguns princípios básicos acerca das características e vantagens do uso dessa ferramenta de análise da pesquisa científica, tais como: (a) garantia de anonimato dos participantes; (b) questões objetivas, de fácil compreensão; (c) possibilidade de o participante utilizar o tempo que achar necessário para refletir e responder às questões; e (d) facilidade de conversão dos dados para a posterior análise dos resultados (CHAER; DINIZ; RIBEIRO, 2011).

O questionário se mostra uma técnica bastante viável e pertinente a ser empregada quando se trata de problemas cujos objetos de pesquisa correspondem a questões de cunho empírico, envolvendo opinião, percepção, posicionamento e preferências dos pesquisados.

Para a avaliação, utilizamos a análise Fofa, que, de acordo com Chiavenato e Sapiro (2003, p. 188), tem função de relacionar as oportunidades e ameaças presentes no ambiente externo com as forças e fraquezas mapeadas no ambiente interno da organização.

Balbinot (2015) define a gestão como maestro de uma grande orquestra que tem a arte de gerir a unidade da multiplicidade, e elegê-la como participante da construção dessa matriz reforça essa definição. A unidade da educação está constituída pela multiplicidade de suas vozes, na integração de muitos públicos e interesses. Pela comunicação, a gestão internaliza o sentimento de pertencimento, assimila e defende a cultura organizacional da escola.

126-espaco-pedagogico-4Análise dos resultados e diagnósticos

A análise foi feita através da classificação das respostas, efetuando as ponderações necessárias para um melhor gerenciamento dos canais, dos espaços e das práticas comunicacionais na escola, que, na visão de Oliveira, Melo e Sette (2019), constituem-se instâncias democráticas, uma vez que o acesso à informação é um direito de todos.

Dentre as respostas recolhidas, destacamos a afirmativa de que o imediatismo provoca ruídos de comunicação; a publicação dos acontecimentos ocorre com velocidade, o que sinaliza para a necessidade de tratamento das informações que são veiculadas, a fim de evitar erros e distorções. A imprecisão quanto à existência de agenda coletiva, revelada pelos gráficos, bem como da definição de canais de comunicação, constitui um problema que atinge a gestão.

A análise Fofa, ferramenta de gestão descrita por Chiavenato e Sapiro (2003, p. 188), facilitou a identificação de fortalezas e fraquezas das bases institucionais e o que se propõe como finalidade da sua missão nas relações estabelecidas entre os diversos setores administrativos pedagógicos com que se intenta contribuir na melhoria dos processos comunicacionais, tendo em vista a sua inovação.

A inovação aplicada trouxe autoconsciência do processo comunicacional e seus impactos nos relacionamentos, sobretudo internos, na escola. A sensibilidade e a delicadeza no trato comunicacional foram sendo incorporadas à cultura organizacional, de modo que os gestores adotaram a postura de manter atualizadas as informações e se esforçaram para fazer bom uso dos canais e dos espaços de comunicação, a serviço da gestão democrática que buscamos. O redimensionamento do Departamento de Comunicação, integrando tecnologia e marketing, potencializou a ação integradora da comunicação.

A proposta de inovação trata de uma intervenção pedagógica e administrativa que ponha luz no fazer diário em termos de atitudes e práticas de comunicação que garantam a realização da qualidade social da missão educativa do colégio, expressão maior de seu projeto pedagógico. O objetivo geral é desenhar um sistema de comunicação que dê visibilidade e clareza para a operacionalização da gestão democrática escolar. A normatização do novo sistema de comunicação poderá ser acessada através do link: https://drive.google.com/file/d/1HBWMfqPyEqmqryjSYXZqJxh2lOX7gujL/view?usp=sharing.

126-espaco-pedagogico-5Considerações provisórias

Desenvolver uma proposta de inovação no campo da comunicação na gestão democrática e cultura organizacional escolar caracterizou uma atitude de esperança e ousadia de olhar para além das comodidades pessoais, na perspectiva de alargar horizontes e abrir-se a novas práticas relacionais, comportamentais e atitudinais.

A inovação desafiou os gestores a avançarem em seu processo comunicacional; a reescreverem com atitudes de diálogo a história de 65 anos do colégio, que se orgulha de sua tradição e inovação; e a se lançarem na busca de sucesso e melhoria de seus resultados, reverberando na comunidade escolar os valores beneditinos da escuta, do acolhimento, da oração e do trabalho.

Reiteramos a afirmação de Luck (2014, p. 131) de que o gestor precisa desenvolver a habilidade de comunicação, relacionamento interpessoal, bem como a gestão de conflitos e o espírito de equipe. Comunicação na gestão educacional escolar democrática do ponto de vista da inovação supõe um movimento de baixo para cima, mediante a circularidade das informações e horizontalidade das relações entre gestão pedagógica, famílias, estudantes e demais agentes educativos.

Pensar a comunicação na gestão educativa escolar democrática como possibilidade de inovação impulsionou a buscar aprimorar a fluidez dos processos comunicacionais, base para o estabelecimento de um clima organizacional de confiança, de integração, de engajamento e de colaboração. Considerando que, no cerne da missão da instituição, está o exercício da escuta e do diálogo, mediado pela integração de esforços, em que todos ensinam e aprendem os fundamentos da cidadania, da democracia e do convívio social, o plano de inovação ajudou a dar passos nessa direção e contribuiu para o engajamento nas ações, fazendo da comunicação um motivo de democratizar as relações e elevar o clima organizacional, importando na qualidade do ensino.

Quando Celso Antunes (2019) afirma que é preciso se entusiasmar pelo que se ensina e suscitar no aluno o desejo de aprender, ele dialoga com as competências gerais da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), ao tratar a educação moderna como a atitude de se reinventar. Foi com esperança e ousadia que o plano de inovação nos desafiou a olhar para além das comodidades que reduzem horizontes para ampliá-los aos grandes ideais que dignificam a vida e o fazer educativo.

Esperamos, com essa pesquisa realizada em nosso campo de trabalho, contribuir com os educandários que desejam gerir suas práticas pedagógicas a partir de uma gestão democrática. Deixamos, ainda, o nosso tema em aberto para outras reflexões, pois o progresso educativo é sempre cultural, histórico e contextual, sendo assim passível de mudança.

Irmã Maria Inez de Amorim é graduada em Pedagogia pela Faculdade de Ciências Humanas de Olinda (Facho); Especialista em Gestão Educacional em Espaço Escolar e não Escolar pela Faculdade Frassinetti do Recife (Fafire); e Mestre em Educação com menção em Gestão e Liderança Educacional pela Universidade de Santiago do Chile. Atualmente é gestora pedagógica.

E-mails: mariainesamorim11@gmail.com
mariainesamorim@yahoo.com.br

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