Edição 137

Fique por dentro

A simplicidade da leitura!

Hilton Souza

Todo hábito começa pela primeira ação, por meio da qual, ao se repetir, pode-se descobrir um certo momento de prazer proporcionado por tal atividade; quando passa a se repetir mais vezes, criando certa ligação, daí em diante pode-se afirmar ter se transformado num hábito.

O hábito da leitura, ainda pouco explorado por muitos, pela maioria dos brasileiros, atualmente está bem mais acessível e muito mais barato que antes. Podemos confirmar que, depois do avanço tecnológico, com o surgimento do computador, da internet e, principalmente hoje em dia, dos smartphones, que fazem parte do cotidiano da maior parte da população brasileira, está bem mais fácil, praticamente na palma da mão.

O simples hábito da leitura provoca no cérebro o ato de imaginar; vai se criando de acordo com o desenvolvimento do texto, acompanhando os detalhes. A escritora brasileira Martha Medeiros enfatiza que “Milhares de pessoas acreditam que ler é difícil, ler é chato, ler dá sono, e, com isso, atrasam seu desenvolvimento, atrofiam suas ideias, dão de comer a seus preconceitos, sem imaginar o quanto a leitura os libertaria dessa vida estreita”. É um exercício mental muito benéfico, trabalhando também a criatividade, por exemplo: vão se imaginando os cenários, as paisagens, que poderão ter castelos ou fazendas, montanhas, rios, mar, cachoeiras, cidades, ruas movimentadas, animais e, com certeza, o mais importante dos personagens: nós, seres humanos, com suas mais diversas características, qualidades e defeitos.

Sem livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever, inclusive a própria história.”
Bill Gates

Certa vez, um entrevistado num programa de TV, falando sobre a importância da leitura e dos grandes escritores da literatura brasileira, afirmou que desejaria muito ter conhecido alguns, mas, como não era mais possível, tinha-os em sua estante, em sua biblioteca pessoal; já que não podia conversar com eles pessoalmente, poderia conhecer seus pensamentos, suas ideias, sua forma de ver o mundo, através dos livros. Muito sabiamente, o megabilionário Bill Gates afirmou: “Meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros. Sem livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever, inclusive a própria história”.

O simples e acessível hábito da leitura nos “transporta” a lugares para onde nunca fomos antes, possibilitando-nos conhecer outras culturas, povos de todo canto do planeta, reis, heróis, princesas, pessoas importantes, que se destacaram por sua coragem e sua inteligência ou que contribuíram para a melhoria da humanidade. Podemos conhecer grandes gênios, filósofos, artistas, pessoas que ficaram famosas por sua genialidade, sua criatividade e sua forma de vida.

Você nunca se sentirá sozinho, pois a leitura fornece companhia, reflete o cenário, a situação e todos os envolvidos. Jorge Luis Borges afirma que “O livro é uma extensão da memória e da imaginação”. A leitura concentrada o envolve, permitindo que você possa “participar” durante o desenrolar do texto, pois você pode sentir emoção, alegria, tristeza e até chorar. Às vezes, você não entende o enredo e se pergunta o porquê, poderá ter sua opinião, sua interpretação e concordar ou não, você interage com o autor e também com os personagens.

Milhares de pessoas acreditam que ler é difícil, ler é chato, ler dá sono, e, com isso, atrasam seu desenvolvimento, atrofiam suas ideias,
dão de comer a seus preconceitos, sem imaginar o quanto a leitura os libertaria dessa vida estreita.”
Martha Medeiros

A sua “visão” de mundo vai ganhando, cada vez mais, novos horizontes, vai indo mais além, no sentido de entendimento da vida e de si mesmo. Você consegue interpretar com mais facilidade as diversas situações da vida. Torna-se mais prático entender assuntos diversos que não eram do seu convívio. Você consegue interagir melhor com pessoas de diferentes níveis culturais, posições sociais, faixas etárias, tendo mais facilidade e segurança para se expressar e/ou para participar até de um debate.

Para Simone Helen Drumond Ischkanian, “A leitura é uma viagem fantástica ao mundo do conhecimento, onde só você ‘que lê’ tem a oportunidade de transcender”. Tudo isso sem falar no nível cultural que se vai adquirindo. Uma mente mais ativa, criativa, livre da ociosidade, não permitindo que a ansiedade se faça presente, ajudando a não dar espaço também para o Alzheimer e muito menos para a depressão.

E, por fim, quem a descobriu, quem a experimentou e conseguiu incluí-la em sua rotina, tornando-a um hábito, sabe claramente o quão prazerosa é. Já dizia o grande poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade: “A leitura é uma fonte inesgotável de prazer, mas, por incrível que pareça, a quase totalidade não sente esta sede”. Quem a adotou em seu lazer e em sua rotina sabe da sensação de bem-estar que é vivenciada e não se permite passar algum tempo sem que a leitura esteja presente em seu dia a dia.

Na leitura, descobrimos uma fiel “companheira”, que sempre está disposta a se fazer presente, oferecendo a nós um “mundo” a ser explorado, dando “asas” à nossa imaginação.


Hilton Souza é pós-graduado em Serviço Social e maestro. É amante e incentivador da leitura; possui um grupo de leitura que criou no final de 2018 chamado Centro Literário Ronaldo José Souto Maior, em homenagem ao professor e historiador Ronaldo Souto Maior. Trabalha na Escola Pequenos Vencedores, em Bezerros/PE.
E-mail: johiltondes@gmail.com

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