Edição 134

Prazer de ler

Apresentamos, nesta edição, a autora Rosa Costa, publicada pela Editora Prazer de Ler.

Sou mãe, avó, educadora, escritora, contadora de histórias e pernambucana. Filha e neta de contadores de histórias, legado herdado por eles, motivando toda a minha trajetória de contadora de histórias. Por meio dessa arte, tenho estudado, pesquisado e trabalhado com formação para grupos que têm o desejo de contar e recontar histórias.

Minha avó usava um acolchoado, que colocava no terraço da casa, onde contava histórias para os netos, que ouviam atentamente, nas noites de lua cheia, como a de Comadre Fulozinha (cuja lenda teve origem na Zona da Mata do Nordeste brasileiro, também como personagem do folclore) e outras histórias de tradição oral. Já o meu amado pai era contador de causos, divertindo a todos em reuniões familiares e entre amigos, fortalecendo, assim, meu prazer em contar e recontar histórias.

Hoje, como voluntária do projeto Viva e deixe viver, atuo no Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip) como contadora de histórias, o que acalenta o meu ser, levando alegria às crianças hospitalizadas. Sabemos que essa prática milenar é fundamental para o emocional e cognitivo de crianças, jovens, adultos e idosos; a ludicidade não tem idade. As crianças que escutam muitas histórias acrescentam, à sua aprendizagem, um repertório de palavras, emoções e sensações na construção do seu desenvolvimento intelectual e emocional, peculiar ao processo de criação por meio do conto e reconto das literaturas. Profissionais das áreas de Pedagogia, Psicologia, Psicopedagogia, Antropologia, Psicanálise, entre outros, acrescentam, ao processo de contação de histórias, um olhar diferenciado, por entender que é o melhor resgate de suas verdades escondidas no seu mundo cognoscível, com seus desejos, inerentes à sua formação humana.

A escrita da literatura O mundo colorido de Jaise, publicada pela Editora Prazer de Ler, surgiu da necessidade de mostrar aos leitores que a paralisia cerebral (PC) — definida por alterações neurológicas permanentes que afetam o desenvolvimento motor e cognitivo, envolvendo o movimento e a postura do corpo — em algumas crianças não limita seus momentos de voos felizes em sua cadeira de rodas; elas se permitem viajar no imaginário e sonhar com o encantamento das contações de histórias.

O encontro de Jaise com sua fada madrinha gerou um sentimento de grande amor e carinho quando ela percebeu a alegria nos olhos brilhantes e falantes de Jaise ao ouvir muitas histórias. A partir desse encontro, tudo mudou. As pesquisas, as necessidades, os direitos dessas crianças invisíveis para a sociedade passaram a ser a preocupação da sua fada madrinha. Jaise ganhou uma fada madrinha e uma família que transformou o cinza de seu castelo em cores vibrantes com momentos felizes. Resta saber como estão aquelas crianças que ainda não encontraram alguém que contasse histórias para elas. Os direitos à saúde, à educação, ao lazer e à moradia são necessidades básicas de reconhecimento para essas pessoas atípicas. Sem esse apoio, seus direitos são negligenciados por uma sociedade que insiste em não visualizar as pessoas com deficiências. O amor é o caminho para minimizar essa falta para aqueles que, com ou sem família, lutam por um mundo melhor, pelo respeito, pelos direitos e pelas oportunidades para todos.

O mundo colorido de Jaise

Essa história fala de uma linda menina cadeirante que coloriu seu mundo, que era cinza, com a ajuda da fada madrinha, pelas vias do encantamento e das viagens pelo mundo do Era Uma Vez. Vamos viajar com Jaise e conhecer esse lugar!

 

 

 

cubos