Edição 122

Mensagem inicial

Às vezes, a gente só quer um abraço que diga que vai ficar tudo bem

Fabíola Simões

Lembro-me de um recorte colado em minha agenda dos tempos de adolescente em que um casal se abraçava num fim de tarde. Era um abraço apertado; o cabelo dela era queimado de sol, e os braços dele envolviam-lhe a cintura com força e proteção. Eu costumava abrir minha agenda naquela página e me perguntarmensagem-inicial quando seria envolvida assim.

Muitas vezes, um abraço significa mais que um beijo. Pois um abraço fala, acolhe, protege, acalma, consola e traduz afeição. Pode expressar “Estamos juntos nessa”, “Te quero muito bem” ou “Ninguém é forte sozinho”. Consegue transmitir empatia, cuidado, segurança e atração. Acolhe reencontros, mata saudade, ampara aflições e desejos. Celebra alegrias, vitórias, realizações e recomeços. Revela compaixão: “Vamos dividir essa tristeza”, “Vem cá, me dá sua dor”.

No silêncio de um abraço, muita coisa é dita. Porque abraço significa reconciliação, perdão, exoneração das mágoas e aflições. No silêncio de um abraço, abafo meu pranto e extravaso minha alegria. Dissolvo minha dor e restauro meu equilíbrio. Um abraço aquece, enche de esperança, transforma pedra em coração.

Nos momentos em que pareço mais imperfeita, é justamente quando mais preciso de um abraço. Pois abraço recompõe porcelanas lascadas e arremata fios puxados. Abraço constrói pontes invisíveis e decifra linhas tortas.

Às vezes, a gente só quer um abraço que diga que vai ficar tudo bem, uma garantia de que não estamos sozinhos, um colo onde repousar a cabeça, uma atenção cuidadosa e um silêncio repleto de significado.

Oferecer nosso abraço a alguém é resgatá-lo do mundo enquanto acolhemos suas lutas, desistências, lembranças e confissões. É se importar, emanar energias boas, sanar dúvidas e dissipar medos. É adoçar um encontro, medicar um pranto, colorir um desencanto.

Abraço é calma, encontro de almas, artimanha perfeita para vencer qualquer dúvida ou saudade.

E, finalmente, tenho que concordar com Rubem Alves, que dizia: “Eu te abraço para abraçar o que me falta”. Porque abraço nos reconecta com aquilo que precisamos, com o que nos faz falta, com o que nos alivia. Abraço nos traz de volta, nos situa no mundo, nos dá chão. Abraço é a maior das conquistas, pois dissipa o abandono e aquieta o coração…

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