Edição 115

Projeto Didático

Brincando e jogando também se aprende: ontem e hoje (Minha experiência)

Para Bujes (2001), “A educação da criança pequena envolve simultaneamente dois processos complementares e indissociáveis: educar e cuidar” (BUJES, 2001, p. 16).

Como educadores, compreendemos que o cuidar, educar e brincar são indissociáveis e fundamentais para se constituir uma infância com aprendizados significativos. Nessa perspectiva, Oliveira (2010, p. 164) defende:

Ao brincar, afeto, motricidade, linguagem, percepção, representação, memória e outras funções cognitivas estão profundamente interligadas. A brincadeira favorece o equilíbrio afetivo da criança e contribui para o processo de apropriação de signos sociais. Cria condições para uma transformação significativa da consciência infantil, por exigir das crianças formas mais complexas de relacionamento com o mundo.

Para tanto, é fundamental pensar em formas múltiplas de intervenções, isso porque entendemos que através do brincar a criança aprende a viver, cria cultura e revoluciona suas experiências. A essência lúdica das crianças exige dos professores planejamentos que envolvam situações de aprendizagens que façam da brincadeira uma ferramenta indispensável.

Portanto, acreditamos que, através do brincar, o espaço escolar pode se transformar num lugar agradável e prazeroso, permitindo que o educador alcance sucesso em sala de aula. Dessa forma, defendemos ser de suma importância realizar o resgate de diversos jogos e brincadeiras e, assim, possibilitar cada vez mais um desenvolvimento pleno dos estudantes.

Objetivos gerais

• Resgatar, culturalmente, alguns brinquedos e brincadeiras, promovendo o desenvolvimento integral da criança, de sua criatividade e socialização, mantendo vivas as tradições de nossa cultura

• Trabalhar os jogos e recursos didáticos, facilitando o ensino-aprendizagem.

Objetivos gerais da aprendizagem

• Identificar, no seu corpo, as partes que se movimentam e os limites, exprimindo emoções, necessidades e desejos.

• Movimentar cada parte do corpo, isoladamente, sem sair do lugar.

• Explorar movimentos de levantar, caminhar, correr, pular, saltar, rodar, puxar, empurrar, entre outros.

• Explorar diferentes formas de se deslocar no espaço.

• Exercitar os movimentos nas brincadeiras de tradição popular.

• Assumir, livre de estereótipos, o papel de diferentes personagens das histórias e do cotidiano.

• Expressar movimentos e gestos a partir das características
de variados personagens.

• Vivenciar o movimento, percebendo os limites espaciais e corporais em relação ao seu próprio corpo e ao corpo do outro.

• Utilizar o diálogo como uma forma de comunicação, bem como na resolução de conflitos.

• Desenvolver a autonomia, compreendendo as normas sociais, reconhecendo suas conquistas e limitações.

• Interagir com crianças da mesma faixa etária e com adultos
ao explorar espaços, materiais, objetos e brinquedos.

• Ampliar relações interpessoais, desenvolvendo atitudes de participação e cooperação.

• Interagir com produções visuais de diferentes linguagens (pintura, desenho, escultura, dentre outras), contextualizando-as, a partir das suas experiências.

• Conhecer alguns aspectos da história de vida de diferentes autores(as) de produções visuais e seus processos de produção.

• Revelar a identidade expressiva, ao produzir artes visuais, como autor(a) das suas produções.

• Desenvolver a linguagem oral através das interações e brincadeiras.

• Desenvolver a capacidade de escutar em situações de interações com o meio.

• Ampliar a comunicação em situações criadas pelo jogo simbólico.

• Adequar as linguagens às diferentes situações comunicativas
e expressivas.

• Relacionar-se com o meio ambiente, explorando os diferentes espaços naturais, culturais e de lazer, da sua e de outras localidades.

• Utilizar a linguagem matemática para expressar ideias, hipóteses
e processos em situações-problema.

• Utilizar conceitos básicos de tempo (agora, antes, durante, depois, ontem, hoje, amanhã, lento, rápido, depressa, devagar).

• Vivenciar diferentes ritmos, velocidades e fluxos nas interações e brincadeiras (em danças, balanços, escorregadores, etc.).

Metodologia

No desenvolvimento do projeto, usamos diversas estratégias para tecer uma rede de significados para as crianças. Utilizamos os diversos espaços de aprendizagem da escola (sala de aula, pátio, biblioteca). Algumas brincadeiras foram vivenciadas de forma coletiva, e outras apenas com as crianças da sala. Nossa unidade escolar atende crianças de quatro e cinco anos, o que facilita o processo de interação social.

A organização do tempo pedagógico foi imprescindível para a execução do projeto. Adotamos como estratégia aproveitar espaços garantidos na rotina permanente. A acolhida, por exemplo, foi o momento que encontramos para as brincadeiras coletivas. Durante a roda de conversa, explicávamos algumas regras. A hora do parque era sem dúvida a mais desejada. No entanto, o projeto era bastante articulador e cheio de significados, facilitando a elaboração de sequências de atividades interdisciplinares.

O trabalho teve início com a apreciação da tela Jogos Infantis (1560),
de Pieter Bruegel. Alguns aspectos da vida e das obras do pintor foram reportados. A tela foi o nosso despertar. Logo, várias curiosidades, perguntas, dúvidas surgiram, e tínhamos nas mãos um instrumento rico de significado para as crianças.

Nossa pretensão era de resgatar, culturalmente, alguns brinquedos e brincadeiras. Durante o projeto, fomos ressignificando nossos objetivos e introduzindo novos desafios. A oficina de construção de brinquedo (peteca), o dia do brinquedo (cada criança trouxe de casa o brinquedo de que mais gostava e, depois de relatar a história dele, puderam brincar de faz de conta), o passeio a um parque da cidade (entretenimento ao ar livre) e o calendário para o ano seguinte (cada criança desenhou sua brincadeira preferida) foram alguns dos resultados dessa ressignificação.

Durante o ano, vivenciamos várias brincadeiras. Corridas (com o limão, do saci), dança (da cadeira, com o chapéu, com a bexiga na testa), jogos (dominó, boliche e os que fazem parte dos programas adotados pela rede), brincadeiras populares/folclóricas (corre, cotia; boca de forno; estátua; batata quente; vivo ou morto; pescaria; quebra-panela/pote; bolinha de sabão), circuito de atividade corporal, olha o camaleão, estourar a bexiga e faz de conta.

Vejamos, no quadro a seguir, as brincadeiras escolhidas e ilustradas pelas crianças para o calendário 2020:

Calendário 2020

Trabalho realizado em 2019

Cantiga de roda

CALEDARIO_CAPA

Como se brinca: De mãos dadas, as crianças formam uma roda e cantam melodias que podem ou não ser acompanhadas de coreografias.

Objetivo: Desenvolver a expressão oral e corporal, a percepção visual e auditiva e a coordenação motora, rítmica e social.

Como se brinca: Em duplas ou em grupo, as crianças vão batendo ou trocando palmas conforme a melodia.

Objetivo: Estimular a coordenação motora e rítmica, a sincronicidade, a oralidade e a interação.

Jogo de Mão – Batom

JANEIRO

Como se brinca: Em duplas ou em grupo, as crianças vão batendo ou trocando palmas conforme a melodia.

Objetivo: Estimular a coordenação motora e rítmica, a sincronicidade, a oralidade e a interação.

Jogo de BOLA

MARCO_JOGO_DE_BOLA

Como se brinca: Os participantes ficam passando a bola de um para o outro com os pés ou com as mãos enquanto uma criança tenta capturar a bola. Quando ela conseguir, troca de lugar com o último participante que tocou na bola.

Objetivos: Perceber os limites espaciais e corporais em relação ao seu próprio corpo e ao corpo do outro. Trabalhar membros inferiores
e superiores.

Como se brinca: Em geral, as crianças o colocam na cintura, mas também é possível girá-lo no braço ou na perna.

Objetivo: Trabalhar a concentração, a psicomotricidade, a coordenação motora grossa,
o equilíbrio e a persistência.

MARIA CADEIRA

ABRIL_MARIA_CADEIRA

 

Como se brinca: Duas crianças trançam os braços para formar uma cadeira humana, usada para lançar um dos companheiros após o canto de um versinho.

Objetivos: Estimular a força, a resistência e o equilíbrio. Perceber os limites espaciais e corporais em relação ao seu próprio corpo e ao corpo do outro.

BAMBOLÊ

FEVEREIRO

Cabra Cega

JUNHO_CABRA_CEGA

Como se brinca: Posicionar uma criança no centro de uma roda com os olhos vendados, girá-la uma vez e pedir que utilizando o tato ela identifique o colega que está na sua frente. O colega identificado ou não será o próximo a ser vendado.

Objetivos: Estimular a concentração e a orientação espacial. Desenvolver a capacidade de escutar em situações de interações com o meio. Explorar diferentes formas de se deslocar no espaço. Trabalhar a percepção tátil.

Amarelinha

MAIO_AMARELINHA

 

Como se brinca: Cada jogador precisa de uma pedrinha. Joga a pedrinha na casa marcada com o número 1 e vai pulando de casa em casa até o céu. Só é permitido pôr um pé em cada casa. Quando chegar no céu, o jogador vira e volta pulando na mesma maneira, pegando a pedrinha. Não pode pisar na casa com a pedrinha, na linha ou fora do quadrado, devendo passar a vez caso isso aconteça.

Objetivos: Explorar diferentes formas de se deslocar no espaço. Promover a consciência corporal e espacial. Trabalhar a coordenação motora ampla. Desenvolver o equilíbrio e a concentração. Identificar e reconhecer a ordenação dos números. Desenvolver a autonomia, compreendendo as normas sociais e reconhecendo suas conquistas e limitações.

Bolinha de sabão

JULHO_BOLINHA_DE_SABAO

Como se brinca: Um pedaço de arame em círculo (geralmente enrolado com barbante) umedecido numa solução de água e sabão é suficiente para começar a brincadeira.

Objetivos: Exercitar os movimentos nas brincadeiras de tradição popular e vivenciar o movimento, percebendo os limites espaciais e corporais em relação ao seu próprio corpo e ao corpo do outro.

 

Pular corda

AGOSTO_PULAR_CORDA

Como se brinca: A brincadeira de pular corda pode ser individual ou em pequenos grupos. Individualmente a criança gira a corda sozinha enquanto pula. Em grupo duas crianças seguram nas extremidades da corda para que uma ou mais crianças pulem.

Objetivos: Estimular a força, a resistência e o equilíbrio. Perceber os limites espaciais e corporais em relação ao seu próprio corpo e ao corpo do outro. Ampliar relações interpessoais, desenvolvendo atitudes de participação e cooperação.

Pião

SETEMBRO_PIAO

Como se brinca: Depois de enrolar o pião e amarrar a sobra do cordão em seu dedo, a criança lança o brinquedo ao chão para fazê-lo girar.

Objetivos: Desenvolver a autonomia, compreendendo as normas sociais e reconhecendo suas conquistas e limitações. Exercitar os movimentos nas brincadeiras de tradição popular.

Como se brinca: No jogo da peteca, a regra é jogar de um para o outro sem deixar cair. Sozinho a proposta é tentar jogar cada vez mais alto sem derrubar o brinquedo.

Objetivos: Ampliar relações interpessoais, desenvolvendo atitudes de participação e cooperação. Exercitar os movimentos nas brincadeiras de tradição popular.

Corrida de saco

OUTUBRO_CORRIDA_DE_SACO

Como se brinca: As crianças precisam se deslocar de um ponto de partida para um de chegada dentro de um saco de pano. Ganha o que chegar primeiro.

Objetivos: Explorar diferentes formas de se deslocar no espaço. Promover a consciência corporal e espacial. Estimular a força, a resistência e o equilíbrio. Trabalhar membros inferiores.

Como se brinca: Traçar uma linha divisória e separar as crianças em dois grupos com o mesmo número de integrantes; um grupo puxa a corda para um lado, o outro puxa para o lado oposto. Vence o grupo que não ultrapassar a linha.

Objetivos: Explorar diferentes formas de se deslocar no espaço. Promover a consciência corporal e espacial. Estimular a força, a resistência e o equilíbrio. Trabalhar os membros superiores.

Estamos orgulhosos com o trajeto que o projeto percorreu e as descobertas que ele nos proporcionou. Hoje, mais do que nunca, percebemos a importância do resgate que fizemos. Atingimos os nossos objetivos, vivenciamos todas as etapas e tivemos a oportunidade de socializar com as famílias e toda a comunidade escolar. A experiência de aprender a melodia do jogo de mão com as crianças, de ver a alegria delas no parque e o resultado alcançado com o calendário é algo que desejamos para todos que trabalham com a Educação Infantil.

cubos