Edição 139
Mensagem inicial
Canto das três raças
Clara Nunes
Ninguém ouviu
um soluçar de dor
no canto do Brasil.
Um lamento triste
sempre ecoou
desde que o índio guerreiro
foi pro cativeiro
e, de lá, cantou.
Negro entoou
um canto de revolta pelos ares
no Quilombo dos Palmares,
onde se refugiou.
Fora a luta dos inconfidentes
pela quebra das correntes,
nada adiantou.
E, de guerra em paz,
de paz em guerra,
todo o povo dessa terra,
quando pode cantar,
canta de dor.
Ô, ô, ô, ô, ô, ô.
Ô, ô, ô, ô, ô, ô.
E ecoa noite e dia,
é ensurdecedor.
Ai, mas que agonia
o canto do trabalhador.
Esse canto que devia
ser um canto de alegria
soa apenas
como um soluçar de dor.
Ô, ô, ô, ô, ô, ô.
Ô, ô, ô, ô, ô, ô.
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