Edição 149

Mulheres Educadoras

De Volta à Borboleta.

Dawn Watson

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“ O caminho da borboleta é extraordinário, representa nossa jornada de transformação e crescimento, ele ensina o que realmente é a confiança. Então, comece-o…” – Dawn Watson

Assim que uma lagarta termina de crescer e atinge o comprimento e peso máximos, ela se transforma em pupa. Este é um estágio imaturo no ciclo de vida da borboleta, está entre os estágios de larva e adulto. Como pupa, ela se envolve em uma proteção de seda que ela mesma produziu chamada casulo. Lá, nesse lugar calmo e apertado, dentro do casulo, tudo o que ela conhece de si mesma será transformado em um belo processo denominado metamorfose. Tudo nela está mudando, cada órgão, cada parte de seu pequeno corpo estão sendo esmagados para que possam se encaixar melhor na nova forma que ela terá após esse processo. Parece com a morte, e, de certo modo, é mesmo.

Naquele momento da minha vida, tudo o que sabia sobre mim estava sendo esmagado, meu mundo como eu conhecia estava desmoronando sob meus pés. Chegou a hora de entrar no meu casulo, eu estava deixando o estágio da larva e entrando em um caminho para a idade adulta e a evolução. Entretanto, não conseguia ver assim. Para mim, era o fim, parecia a morte. O casulo era assustador, solitário e doloroso. Eu não conseguia entender o que estava acontecendo dentro de mim. Tudo o que eu sabia era que estava em uma guerra contra a dor; lutei contra ela dia e noite, algumas vezes ganhei, e, outras vezes, ela era mais forte do que eu. Corri tão depressa quanto pude, mas, de alguma forma, a dor sempre me alcançava. Tentei ignorá-la, acabou piorando; tentei escondê-la, ela encontrou um caminho de volta diretamente à minha frente. E, agora, a dor estava criando uma casa ao meu redor, sem me deixar saída. O casulo estava sendo formado, e, mesmo que eu ainda não soubesse, eu estava pronta.

“Culpamos a vida e todas as suas dificuldades, mas o dedo que aponta sempre tem uma maneira de voltar para o outro lado e nos encontramos julgando e culpando a pessoa que vemos no espelho […]”

A vida nunca nos apresenta uma fase para a qual não estamos preparados. Seguir para o próximo nível de nossa vida não é o fim, é apenas o início de um novo ciclo. Há uma frase que eu amo do livro A morada da alma que diz: “[…] quando estamos no ventre da nossa mãe, nos tornamos humanos; quando estamos no ventre da dor, estamos nos tornando almas”.

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O casulo e os momentos dolorosos de nossa vida nos conectam a quem realmente somos. Aquele estágio escuro e solitário na vida, no qual não há outro lugar para ir a não ser o seu próprio lar, aquele lugar dentro de si que está trabalhando para transformar toda a dor em força, compaixão e amor. Esse lugar, que faz lembrar do que realmente importa na vida, ajuda você a se afastar do piloto automático de apenas existir e sobreviver e mostra quem você realmente é e do que é verdadeiramente feito.

Se alguém dissesse à lagarta que um dia ela seria uma borboleta, você acha que ela acreditaria? 

Se algum dia ela realmente tivesse a chance de escolher passar ou não pelo processo doloroso do casulo, acha que ela faria isso?

Para alguém que olha de fora, seria absolutamente insano não passar pelo processo e desfrutar da vida maravilhosa de ser uma borboleta! Não ter de se rastejar no chão como uma lagarta e ainda ter asas para voar e ver o mundo do alto.

No entanto, quando tudo o que você vê é dor, noites solitárias e momentos sombrios, você se esquece do ciclo. Você se esquece do que é feito. Começa a odiar o que está acontecendo com você, esforça-se para encontrar algo ou alguém para culpar, assim de alguma forma dói menos. Nós culpamos o Criador, aquele que determinou esses ciclos. Culpamos a vida e todas as suas dificuldades, mas o dedo que aponta sempre tem uma maneira de voltar para o outro lado e nos encontramos julgando e culpando a pessoa que vemos no espelho: “Deve ter sido minha culpa”, “Eu mereci”, “Não sou o suficiente”…

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Vemos a vida como algo perigoso do qual sempre devemos nos proteger, em vez de uma experiência maravilhosa na qual podemos crescer e evoluir. Um útero para a nossa experiência humana e a evolução da nossa alma.

O casulo não precisa ser um lugar de sofrimento e não é nossa morada permanente, é apenas uma passagem, uma estrada que nos conduz ao nosso verdadeiro lar, à expressão completa do que nascemos para ser.

“O casulo e os momentos dolorosos de nossa vida nos conectam a quem realmente somos.”

WATSON, Dawn. A força que há em nós: uma história que vai ajudá-lo a se reconectar com si mesmo, resgatar o amor próprio e quebrar as dores do passado. São Paulo: Gente, 2018.

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