Edição 135

Espaço pedagógico

Dificuldades no manejo de alunos com transtorno opositor desafiador na prática escolar: um desafio

Barbara Miguez Fernandes

Trabalhar com alunos que têm transtorno opositivo desafiador é, verdadeiramente, um desafio. A oportunidade de fazer a diferença na vida de uma criança ou um adolescente que enfrenta adversidades é uma responsabilidade que nos motiva a buscar soluções e a crescer como profissional.

No caso do aluno com o qual trabalhei, foram inúmeros desafios. Foi crucial criar estratégias para a sala de aula que envolvessem toda a turma, incentivar e motivar os professores e, sobretudo, evitar que o aluno fosse rotulado, o que poderia prejudicar seu desenvolvimento.

No início, a tarefa era complicada e desgastante. Contudo, ao longo do tempo, eu e a equipe buscamos informações, aplicamos ensinamentos como reforço positivo, regras claras e simples, feedbacks positivos e ferramentas para promover a autorregulação, as quais contribuíram, significativamente, para o desenvolvimento do nosso aluno.

Esse desafio foi uma oportunidade valiosa para a nossa equipe se reinventar. Houve momentos de desânimo, em que nenhuma estratégia parecia funcionar, mas, com paciência e parceria, conseguimos intervir de forma eficaz em situações de crise, redirecionando o foco e o ambiente.

Percebemos que somente a abordagem da literatura não seria suficiente e que era necessário adotar uma visão mais humanizada e personalizada para atender às necessidades específicas desse aluno.

É crucial compreender que, como profissionais, nem sempre conseguimos resolver tudo sozinhos. Trabalhar em equipe, buscar formação e informações é essencial, mas, sem dúvida, ao lidar com alunos que têm transtornos, o ponto fundamental é adotar um olhar humanizado, comprometido em fazer a diferença na vida dessas crianças e desses adolescentes. É preciso ser um educador apaixonado e inclusivo.

Ao longo do processo, testemunhamos a evolução do aluno. Ele passou a seguir regras, a compreender as instruções e a conseguir controlar mais sua impulsividade. Além disso, desenvolveu relações sociais mais saudáveis e passou a se sentir mais feliz, o que talvez tenha sido nossa maior conquista.

Trabalhar com alunos que têm transtorno opositivo desafiador é, sem dúvida, um desafio, mas também representa uma oportunidade única de impactar positivamente a vida de crianças e adolescentes. Exige paciência, perseverança e, acima de tudo, um olhar humanizado.


Barbara Miguez Fernandes é coordenadora-geral do Colégio Studio.

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