Edição 150

Mulheres Educadoras

Esperançar

Targelia de Souza Albuquerque

A esperança é um bichinho danado
que entra no nosso corpo pelo coração,
chega à mente e alcança a nossa alma.
Faz cócegas, desestabiliza.
Acorda e denuncia.
Quando tendemos a paralisar,
ele não para
de atiçar até a gente acordar para a vida
e voltar a acreditar.
A esperança é um bichinho
esperto que não nos deixa sucumbir.
A esperança junta pedaços e deixa o país inteiro,
enquanto os tiranos só tentam fragmentar e despedaçar.
Esse bichinho danado nos anima a reunir e anunciar.
Esperança junta gente que luta pela vida.
Nelas, faz moradia.
A esperança gera anticorpos e está sempre lá para ativar energia.
A esperança é um bichinho danado
como a saudade, que se instala na nossa vida
e não quer se mudar.
A esperança denuncia, anuncia e transforma.
Isso é esperançar.
A esperança não é ele nem ela.
É pan-universal. É plural! É multicultural!
Esperança do verbo esperançar,
que junta fios do viver e
se tece em uma profunda fé nos sujeitos humanos.

Eita bichinho danado que penetra no corpo e na alma,
revelando um intenso amor ao mundo, à natureza,
aos povos e suas culturas, às nações.
Esperança que toca sinos nas igrejinhas e catedrais,
bate tambores e balança maracás
para anunciar que a justiça não morreu.
Esperança é um bichinho esperançoso
que não deixa a gente sossegar,
pois ninguém espera sozinho.
Esperamos em comunhão.
Seja em um breve instante ou
até um centenário completar!
Com Paulo Freire, vamos esperançar!
Lutar em favor da vida
e combater essa terrível pandemia.
Esperança é um bichinho
impertinente, presente, instigante, problematizador.
Esse bichinho danado
que não é feminino nem masculino.
É um arco-íris multicor que anuncia
a passagem da opressão para a libertação.
É verbo, é palavra, é diálogo, é práxis,
é tempo de solidariedade, de anúncio
da libertação.
Vamos esperançar!
Dizer não à tirania.
Lutar de noite e de dia pela democracia.
Amar, transformar, esperançar!

ALBUQUERQUE, Targelia de Souza (Org.). Conversas com
Paulo Freire: a beleza de ser um(a) eterno(a) aprendiz.
Ilustrações de Lelo Alves. Recife: Prazer de Ler, 2021.

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