Edição 142

Socioemocional

Lidando com as emoções

Suely Oliveira

A autora do livro Lidando com as emoções: histórias, Renata Aguiar — professora e coordenadora pedagógica em escolas há mais de 30 anos, neuropsicopedagoga e psicopedagoga, com extensão em neuropsicologia — fundamenta o tema da obra na história Miguel não sabe perder!, que faz uma abordagem delicada, mas pontual, necessária para ser trabalhada em sala de aula. Nem sempre conseguimos perder sem esboçar conflitos, tampouco enxergamos além da nossa própria realidade em que, muitas vezes, tal problemática traz consequências para a vida social e para o eu íntimo.

Renata Aguilar traz esse contexto de forma simples e clara para que essa contextualização seja trabalhada desde da Educação Infantil, propondo que a criança lide com a derrota e com a perda. Para isso, é necessário você, professor, conceber práticas constantes no dia a dia da criança de forma lúdica e prazerosa, usando toda a sua criatividade, seu respeito e sua responsabilidade pelo assunto abordado.

Este livro tem como objetivos elucidar, por meio de histórias, o dia a dia das crianças e os conflitos e fazer uma reflexão sobre habilidades socioemocionais, como empatia, solidariedade e união.

Você pode:

• Explicar que a vitória nem sempre depende de nós.
• Permitir que a criança expresse frustração. Nunca solicitando que se sente ou fique quieta.
• Usar sempre o acolhimento para que a criança enxergue novas possibilidades em suas atitudes.
• Contar histórias de superação, através de vídeos e histórias infantis, e contextualizá-las para a realidade vivida.
• Mostrar que as derrotas são oportunidades de crescimento.
• Ensinar estratégias de autorregulação (música, tempo para pensar, exercícios físicos, exercícios de respiração, etc.).
• Não ceder às birras, mantendo-se calma, compreendendo a criança e tendo como ponto de partida de que é um aprendizado, acolhendo e mostrando que se tem outras escolhas. Mas sem negociações.
• Aprender a validar os sentimentos da criança, entendendo que a tristeza, a raiva, a frustração, o medo e o ciúme são emoções válidas e que o diálogo é sempre o ponto de partida. Claro que o olhar do professor e sua sensibilidade fazem toda a diferença.

Portanto, converse com a criança e, quando a crise passar, ajude-a a colocar os sentimentos em palavras, reforce que a birra não é a melhor maneira de se comportar, ensine técnicas simples de respiração profunda, contar carneirinhos ou os dedinhos.

Coloque uma música suave, deite a criança de barriga para cima e observe as emoções do momento. Professor, cada momento e situação são únicos. E cabe ao adulto se curvar a esse processo, nunca usando de autoridade máxima.

Algumas indicações práticas também devem ser utilizadas, como jogos em que a vitória depende do acaso, como lançar dados e escolher cartas; caça-palavras; ditado-relâmpago; bingo das palavras; jogo de memória, que é ótimo para desenvolver a memorização, a concentração e o raciocínio lógico; contação de histórias com dramatizações; desenho e pintura em ambientes amplos e em contato com a natureza. Tudo isso, leva a caminhos de entendimento e crescimento do eu.

Então, o termômetro do saber ouvir é o principal ingrediente do equilíbrio humano. Ou seja, ouvir, compreender, desenvolver e colocar em prática a empatia atingem o máximo de harmonia entre o eu e outro na construção de um mundo melhor.

Sucesso, professor!


Suely Oliveira é formada em pedagogia e especialista em psicopedagogia.

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