Edição 143

Em discussão

Neurociência como ferramenta no coaching infantil

Marta Pires Ribeiro

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Coaching é uma palavra de origem inglesa. A tradução para o português é treinamento. Esse termo foi utilizado, inicialmente, para a preparação de atletas. Seu objetivo é garantir sempre a melhor performance.

Essa modalidade de treinamento desenvolveu técnicas especiais para capacitar atletas e habilitá-los, permitindo a utilização completa de suas capacidades, garantindo altos níveis de desempenho. Passou-se, então, a chamar essa nova modalidade de treinamento coaching.

Os resultados dessa forma de treinamento obtiveram muita notoriedade, propiciando sua adoção em outros segmentos. Percebeu-se que esse treinamento significava também ensinar a utilizar as capacidades, que, se não fossem exploradas, ficariam adormecidas, estagnadas e sem usufruto, tornando-se extintas. A partir do reconhecimento das capacidades e habilidades comuns a todos os seres humanos, desenvolveu-se um trabalho direcionado para o coaching em vários outros setores, como coaching empresarial.

Com relação a outros segmentos, existem muitos entraves que dificultam o manejo adequado das habilidades, em termos pessoais ou profissionais. Muitas vezes, esses entraves estão associados à emocionalidade, como baixa autoestima, preconceito, timidez, medo, pensamentos sabotadores, estresse emocional e tantas outras situações que vão bloquear a ação.

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Educar os filhos no atual contexto cultural ficou difícil

Ensinar as crianças a cuidarem de si mesmas, dos outros e do meio ambiente é uma prioridade definida pelas Nações Unidas como o melhor caminho para conter a violência, prevenir conflitos e resolver problemas pelo diálogo. Mas como fazer isso? As inovações tecnológicas, a violência, as novas configurações familiares e o tempo cada vez mais curto têm gerado muitas dúvidas para os pais, e educar os filhos, hoje em dia, ganhou certa complexidade. Os pais ficaram mais confusos, porque o mundo também mudou muito, para melhor e para pior. Os desafios que as famílias enfrentam em um mundo em que o ritmo de mudança é cada vez maior e o tempo está cada vez mais veloz tornaram-se conflitantes.

A noção entre o certo e o errado ficou incerta

A própria definição do que é ser família se modificou muito. Atualmente, existem outras configurações familiares. Entretanto, o coaching também desenvolveu manejos adequados para tratar os conflitos pertinentes às famílias para a educação de seus filhos, para a qualidade dessa educação e, também, para um futuro cheio de produtividade.

A contemporaneidade trouxe uma noção aperfeiçoada sobre as fases do desenvolvimento infantil. A informação correta é imprescindível para o suprimento das necessidades dessa fase. Músicas, brincadeiras, jogos, brinquedos, entretenimento, leitura e a maneira como os filhos são recebidos e amados com responsabilidade e orientação farão toda a diferença na educação e no desenvolvimento da criança nas preciosas janelas da aprendizagem.

Os avanços da neurociência demonstram que cada etapa da vida é marcada por uma configuração cerebral diferente e que partes distintas do cérebro têm ritmos e amadurecimento diversos. O cérebro está em constante evolução, e, muito embora os neurônios em número total sejam de aproximadamente 88 bilhões, durante toda a vida existe uma renovação constante dessas células de acordo com a necessidade do cérebro.

Graças a essas novas descobertas, é possível saber que o cérebro tem várias etapas de desenvolvimento, subdivididas em: fase infantil — de 0 a 12 anos de idade —, fase do cérebro adolescente, fase adulta e uma ligada à terceira idade.

Em cada uma dessas fases, destaca-se uma nova necessidade. Porém, sabe-se que a infância é o período mais importante na construção global de uma pessoa e que se determinam certos marcadores, que permanecerão ativos por toda a vida. É, portanto, imprescindível o manejo adequado dessa fase e que seu início, no útero materno, estenda-se até os 12 anos da criança.

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Como aproveitar essas preciosas janelas oferecendo uma educação de qualidade?

De onde surgiu o coaching para crianças?

Coaching para crianças surgiu, inicialmente, na Europa, mais especificamente em Portugal. A neurociência cognitiva desenvolveu métodos de trabalho especificamente direcionados para bebês e crianças. Coaching infantil vem ao encontro das necessidades atuais, fortalecendo vínculos de família e ensinando os cuidadores a protegerem a etapa mais importante da vida — a infância — por meio das emoções.

Como acontece essa neurobiologia das emoções?

É sobre o sistema límbico emocional excitado ou estimulado em relação a um acontecimento ou fato que se debruça a neurobiologia das emoções. Os neurônios (células especiais do cérebro) produzem, então, um neurotransmissor excitatório denominado catecolamina, bem como a noradrenalina, que grava fortemente as memórias no cérebro e também faz com que o organismo mande um suprimento extra de oxigênio e glicose para ele, ajudando-o a “sedimentar” a memória.

Educar a emoção é habilidade relacionada com o motivar a si mesmo e persistir mediante frustrações; controlar impulsos, canalizando emoções para situações apropriadas; praticar gratificações prorrogadas; motivar pessoas, ajudando-as a liberarem seus melhores talentos; e conseguir seu engajamento aos objetivos de interesses comuns (Relvas, 2008, p. 113).

As equipes multidisciplinares e interdisciplinares só têm sucesso quando agem de forma integrada com a família e a escola, a fim de otimizarem resultados para um melhor desempenho da aprendizagem cognitiva e emocional.

Hoje, não basta saber quem eu sou, é preciso também saber quem eu não sou para, então, saber quem eu posso ser.

A neurociência cognitiva desenvolveu métodos de trabalho especificamente direcionados para bebês e crianças.


RELVAS, Marta Pires. Neurociência na prática pedagógica. Rio de Janeiro: Wak, 2012.

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