Edição 121

Construindo mais conhecimento

O aluno surdo e suas dificuldades no contexto social

Cris Barcelos

Resumo

Este artigo tem como objetivo apontar as dificuldades do aluno surdo no contexto social, uma vez que a sociedade, de uma forma geral, não está preparada para lidar com pessoas com essa deficiência. Nesse contexto, encontra-se a escola, que, infelizmente, em sua maioria, tanto pública quanto particular, não possui professores nem funcionários especializados para lidar com esse público, dificultando, assim, todo e qualquer processo de inclusão desse aluno no ambiente escolar.

Palavras-chave: Educação inclusiva. Escola. Criança.

O aluno surdo e suas dificuldades no contexto social

Quando a criança possui alguma deficiência, as expectativas pelo seu desenvolvimento são maiores, pois sabe-se que ela terá que enfrentar e vencer obstáculos que serão primordiais para o seu progresso. Geralmente as famílias depositam, na escola, a esperança de aperfeiçoar áreas como o intelecto, a socialização e a escolarização de suas crianças.

menino_surdo_AdobeStock_257349050_jittawit.21É fundamental entender que o processo da aprendizagem é algo social, no qual deve ocorrer a inserção do indivíduo na sociedade, de forma natural, tendo como objetivo principal tornar mais fácil o modo de se mediar o aprender, respeitando, sempre, o desenvolvimento desse aluno.

Dessa forma, pode-se afirmar que cabe ao professor a responsabilidade de rever a didática adotada, os métodos tradicionais, reducionistas e inviabilizadores de ensino para que a educação passe a trazer prazer em aprender, como reflete Falcão (2010, p. 29):

Na educação do surdo, não se discute como ele apreende, a lógica do raciocínio, a estruturação dos valores e conhecimentos pessoais e sociais nem como ele estuda, como faz uso das informações e do conhecimento humano universal, de como funciona sua mente ou de como tem acesso s suas reflexões e interpretações. Diante deste “mistério” mantido a “sete chaves”, a opção de muitos educadores é repassar a responsabilidade a intérpretes e a outros surdos, quando não simplificam os conhecimentos e “aprovam” todos no final do ano letivo sem o mínimo de conhecimento necessário para as séries em que estão inseridos.

No entanto, é notório que os profissionais da educação não sabem lidar com o aluno surdo por não conhecerem a temática a respeito da criança com essa deficiência, e, assim, o ensino fica limitado, já que não há um aprofundamento teórico. Por esse motivo, o despreparo da escola e a falta de conhecimento por parte dos docentes fazem com que haja um mau desenvolvimento e, consequentemente, um fracasso escolar no processo de ensino desses alunos.

Segundo Machado (2008, p. 79): “[...] o fracasso escolar do aluno se relaciona com a inadequação da escola para atender s suas especificidades de aprendizagem”. Partindo desse princípio, observa-se que o aluno surdo encontra dificuldades no meio em que vive, principalmente no que envolve a comunicação e a parte de conhecimentos.

É importante que o surdo receba estímulos, incentivos, através de atividades que o desenvolvam e o incluam em uma sociedade que o respeite acima de tudo. No entanto, vale ressaltar que esse estímulo deve partir, principalmente, da família, que deve ajudá-lo a se sentir bem. Cabe família ser a primeira instituição a proporcionar sua socialização no ambiente convencional.ola

Uma das maiores dificuldades que o surdo encontra, de acordo com Falcão (2010, p. 97), está na comunicação, pois a aquisição de uma linguagem que estabeleça uma boa comunicação entre o surdo e os falantes ainda é um desafio para a sociedade atual.

O surdo tem a capacidade de ser alfabetizado se receber adequadamente o suporte necessário para seu desenvolvimento.

No auge das transformações sociais, quando a principal regra era quebrar as regras impostas pela ditadura militar, a família foi dilacerada. Ganharam-se algumas coisas, mas se perderam os filhos. Nesse contexto, estava inserido o surdo, que, muitas vezes, estava excluído da sociedade pela dificuldade de comunicação.

Nesse sentido, é necessário que a família e os educadores tenham conhecimentos que lhes possibilitem compreender sua prática e os meios necessários para promoverem o progresso e o sucesso do surdo na sua totalidade. Uma das maneiras de se chegar a isso é através das contribuições que a Pedagogia proporciona, pois é a área que estuda e lida com o processo da aprendizagem e com os problemas dele decorrentes. Sua nova visão vem sendo apresentada pela Pedagogia e vem ganhando espaço nos meios educacionais brasileiros, despertando o interesse dos profissionais que atuam nas escolas e buscam subsídios para
sua prática.

Assim, pode-se afirmar que a educação inclusiva é de suma importância para o desenvolvimento das crianças surdas, para que os desafios do dia a dia sejam vencidos e para que possam ser inseridos na sociedade de forma segura e sem preconceitos.

menina_aprendendo_libras_surda_AdobeStock_383936306_insta_photosA equipe pedagógica deve proporcionar a facilidade de adaptação desses educandos no ambiente escolar, promovendo atividades educativas para fazer com que a inclusão aconteça de forma natural.

Vale ressaltar que os professores precisam e devem estar preparados para trabalhar com o surdo dentro de sua sala de aula. Precisam receber o aperfeiçoamento adequado para que cada situação seja encarada com seus desafios como um outro fato qualquer.

O surdo tem a capacidade de ser alfabetizado se receber adequadamente o suporte necessário para seu desenvolvimento. Entre os desafios que o surdo enfrenta, a frequência escola é um dos que mais preocupam a sociedade surda, pois a escola permite a inserção e o desenvolvimento de uma forma mais completa.

Infelizmente, em nossos dias, ainda encontramos um certo preconceito por parte da sociedade quando se depara com uma pessoa surda. Fato este que acontece também dentro das escolas, por parte dos alunos.

Atualmente, poucas são as escolas que aceitam um aluno surdo. Mesmo sendo algo previsto em lei, ainda encontramos escolas que não se sentem preparadas para a inclusão e não aceitam o aluno com a sua deficiência.

A educação inclusiva permite, ao aluno que a pratica, uma descoberta de horizontes e de caminhos que muitas pessoas desconhecem, uma vez que possuem uma inteligência e uma capacidade tão grandiosa quanto outro qualquer.

A escola é o melhor ambiente em que uma criança ou adolescente pode estar, além de sua própria casa. É de conhecimento geral que a educação precisa ser mais qualitativa do que quantitativa, no entanto, para que isso aconteça, é necessário que algumas mudanças ocorram, como, por exemplo, a presença constante da família na escola e as mudanças nos planejamentos e conteúdos didáticos.

É preciso encarar a realidade da educação brasileira e entender que ela precisa de ajuda. É na escola que se conseguem algumas conquistas, e, se essas conquistas se tornarem uma constante na vida do aluno, o resultado será um ensino de qualidade, formando cidadãos de bem, preparados para a vida.

Infelizmente, o Brasil ainda tem uma qualidade baixa de ensino, pois as políticas educacionais não têm dado a assistência que deveria s redes de ensino, o que resulta em problemas graves de aprendizagem que, muitas vezes, são difíceis de ser sanados. Por outro lado, é dever da comunidade escolar proporcionar uma proposta pedagógica inovadora, tendo como objetivo uma educação de qualidade.

Assim, se pais, filhos e instituições educacionais cumprirem cada um o seu papel, certamente os processos de aprendizagem alcançarão grandes resultados, excluindo, dos históricos escolares, os resultados
de fracasso escolar.

Considerações finais

menina_libras_sinais_surda_AdobeStock_276104136_JuanCi_StudioEste trabalho teve como objetivo refletir sobre as questões teóricas que abrangem os alunos surdos, tendo em vista a dificuldade que ainda encontram de serem inseridos na sociedade.

A família continua sendo a base universal da sociedade, é também a instituição mais antiga e a primeira onde o cidadão é inserido, possibilitando ao indivíduo um conjunto de regras e valores na chegada a esse novo mundo, o que irá orientá-lo, preparando-o para agir com responsabilidade no mundo social.

Portanto, para finalizar, cabe ressaltar que a inclusão de surdos na sociedade não é uma ameaça, muito menos uma mera questão de terminologia, é apenas uma expressão linguística e física de um processo histórico que não se iniciou nem terminará hoje. Na verdade, a inclusão não tem fim se entendida dentro desse enfoque dinâmico, processual e sistêmico que procuramos levantar nesta revisão.

 

Referências
BRASIL. Lei no 9.394, de 23 de dezembro de 1996. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasília: Ministério da Educação e do Desporto, 1996.

BRUINI, Eliane da Costa. Educação no Brasil; Brasil Escola. Disponível em: . Acesso em: 07/07/2017.

FALCÃO, R. As particularidades das pessoas com autismo. Revista Integrar, 17. ed. p. 60-65, 1999.

FONSECA, Bianca. Autismo: recursos tecnológicos para inclusão educacional e social. Inclusive. Inclusão e cidadania. 2015. Disponível em: http://www.inclusive.org.br/arquivos/27886.

LACERDA, Cristina Broglia Feitosa de. A inclusão escolar de alunos surdos: o que dizem alunos, professores e intérpretes sobre esta experiência. 26. ed. São Paulo: Cadernos Cedes, 2006. p. 166–187.

MANTOAN, Maria Tereza Egler. Inclusão escolar. São Paulo: Summus, 2006.

MACHADO, Paulo Cesar. A política educacional de integração/inclusão: um olhar do egresso surdo. Florianópolis: UFSC, 2008. p. 11–27.

ROMANELLI, Carolina. História da educação no Brasil (1930–1973). 27. ed. Petrópolis: Vozes, 2008.

Cristiane Barcelos é professora do 5o ano no Instituto Souza Motta, em Duque de Caxias, Rio de Janeiro.

E-mail: crisbarceloos@gmail.com

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