Edição 146
Projeto Didático
Projeto de Produção Textual Criativa

ENTRE A CRÍTICA E A INOCÊNCIA
Escola Recanto do Saber e Aprender – Sobradinho/BA
Ana Carolina da Silva Souza
Escola: Recanto do Saber e Aprender
Disciplina: Produção Textual
Professora responsável: Ana Carolina da Silva Souza
Turma: 6º ano do Ensino Fundamental
Carga horária do projeto: 4 aulas de 45 minutos
Participantes: 12 alunos
Poemas selecionados para publicação: 3
1. Introdução
A escrita criativa é um recurso pedagógico que possibilita ao aluno desenvolver não apenas habilidades linguísticas, mas também expressar o seu pensamento crítico. O presente projeto, realizado na disciplina de Produção Textual com a turma do 6º ano da Escola Recanto do Saber e Aprender, teve como objetivo a produção de poemas a partir de temas atuais que estão sendo veiculados constantemente nas mídias sociais.
2. Justificativa
Diante dos desafios que a sociedade vem enfrentando, é fundamental que a escola ofereça espaços para que o aluna do reflita de forma crítica sobre a realidade. A poesia, como meio artístico e textual, promove essa sensibilidade, essa criatividade e a capacidade de argumentação de forma natural. Assim, ao propor a produção de poemas críticos sobre esses temas, que, vale a pena destacar, foram escolhidos pelos próprios alunos, busca-se fortalecer a formação do caráter cidadão dessas crianças.
3. Objetivos
3.1 Objetivo Geral
Promover a produção textual criativa em forma de poemas, incentivando a reflexão crítica dos alunos do 6º ano sobre temas atuais.
3.2 Objetivos Específicos
› Promover a leitura e a interpretação de diferentes gêneros poéticos.
› Desenvolver a criatividade e a capacidade de expressão dos estudantes.
› Incentivar a reflexão crítica sobre questões atuais.
› Exercitar a reescrita e a revisão textual.
4. Metodologia
O projeto foi desenvolvido em 4 aulas de 45 minutos, organizadas da seguinte forma:
› Aula 1 – Apresentação do projeto e sensibilização dos alunos. Levantamento de possíveis temas atuais (meio ambiente, desigualdade social, adultização de crianças, bullying, racismo, etc.).
› Aula 2 – Oficina de escrita criativa com exercícios de rimas. Produção inicial dos poemas com escolha de tema por cada aluno.
› Aula 3 – Momento de revisão e correção — leitura dos textos. Sugestões de melhorias e reescrita orientada pela professora.
› Aula 4 – Finalização dos poemas. Socialização. Seleção dos 3 poemas a serem publicados, com critérios de originalidade, crítica social e clareza expressiva.
5. Resultados Obtidos
A turma, que é composta por doze alunos, participou ativamente das atividades, demonstrando interesse em expressar suas opiniões no gênero textual sugerido. Os textos finais revelaram sensibilidade estética e posicionamento crítico diante de questões urgentes e emergentes na sociedade.
Após a leitura coletiva, foram selecionados três poemas para publicação nesta revista, representando a diversidade de temas e estilos produzidos pelos alunos.
6. Considerações Finais
O projeto evidenciou que o trabalho com a poesia em sala de aula vai além do desenvolvimento da competência linguística. Ele possibilita o exercício da criatividade, a reflexão crítica e a valorização dos pensamentos dos alunos. A publicação dos poemas selecionados fortalece a autoestima dessas crianças e reforça a importância da escola como espaço de produção artística.

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7. Poemas Selecionados
Aparência
Rebeca Emanuelle
Julgamos pela aparência, e não mais pelos valores.
Na verdade, sim, pelos valores da conta bancária ou dos favores.
Muitos tentam apagar, do negro, a cor.
Mas esquecem que é feita de sol e vigor.
Tentam diminuir sua memória,
Mas esquecem que o negro é feito de história.
Tua pela negra é feito bandeira,
Mesmo nem todos entendendo dessa maneira.
Usam o racismo pra te ferir,
Mas, graças a Deus, eu sei prosseguir.
O racismo fere, machuca, destrói,
Apaga sorrisos, separa, corrói,
Mas não me abalarei,
Mais forte que essa doença eu serei,
Pelos iguais a mim lutarei
E, mesmo com cicatrizes, outros encorajarei.
Às vezes, ser feliz
Louise Vieira
Às vezes, ser feliz não significa se encaixar;
no padrão da sociedade, se encontrar.
Mas, sim, ser você mesmo sem estragar
sua sanidade, aproveitar.
Seja você mesmo, mas com respeito.
Tenha liberdade, mas com respeito à vontade.
Para uma criança ser feliz, não é colocando-a para trabalhar,
E sim deixar ela ter sua infância, cultivar sua inocência e brincar.
Às vezes, ser feliz não necessita sair mudando o mundo,
Mas apenas entender que o simples faz falta e que nem tudo é lucro.
A mudança acontece no dia a dia,
Com um obrigada, com licença, uma pequena cortesia,
Não precisando de muito para contagiar com alegria.
Eu gosto de ser feliz na simplicidade.
Brincar, correr, ser feliz de verdade,
Talvez seja isto que falte:
O adulto se tornar criança e não espalhar maldade.
Não posso fechar os olhos e achar que estou certa em tudo.
Na verdade, existe muito problema no mundo:
Corrupção, fome, doença e tantos outros.
Falta aquele olhar pelo outro.
A infância
Ayla Lorena
Na infância, nós queremos crescer.
Na adolescência, nós pensamos viver.
Na fase adulta, não temos mais tempo.
Na velhice, nós queremos alento.
Nessa vida, precisamos pensar
E, a cada dia mais, aproveitar.
O tempo passa voando
A cada dia mais rápido.
Um dia, olharemos para o céu e pediremos para voltar
Aos momentos de infância que deixamos de gozar.
Perdemos nossa inocência
Cada vez mais fácil.
Ana Carolina da Silva Souza é graduanda em
Direito pela Universidade do Estado da Bahia (Uneb),
assistente de pesquisa do projeto Quilombos e Acesso
à Justiça, professora de Produção Textual na Escola
Recanto do Saber e Aprender, rede particular de ensino
da cidade de Sobradinho/BA.
E-mail: poetisana22@gmail.com.
