Edição 144
Projeto Didático
Projetos e dinâmicas
Técnica: Cumprimento criativo
Fonte: Projeto Memorial Pirajá
Objetivo: Promover a integração e o contato físico entre os adolescentes.
Material: Aparelho para reproduzir música.

PureSolution – stock.adobe.com
Desenvolvimento
1. Grupo em círculo, de pé.
2. O facilitador explica ao grupo que, quando a música tocar, todos deverão movimentar-se pela sala de acordo com o ritmo dela. A cada pausa musical, congelar o movimento, prestando atenção à solicitação que será feita pelo facilitador. Quando a música recomeçar, deverão atender à solicitação feita.
3. O facilitador pedirá formas variadas de cumprimento corporal a cada parada musical. Cumprimentar com:
» A palma das mãos.
» Os cotovelos.
» Os joelhos.
» As costas.
» A ponta do nariz.
» O bumbum.
4. Após vários tipos de cumprimento, ao perceber que se estabeleceu um clima alegre e descontraído no grupo, o facilitador diminui a música paulatinamente, pedindo a cada pessoa que procure um lugar na sala para estar de pé com os olhos fechados, esperando que a respiração volte ao normal. Tempo.
5. Abrir os olhos, olhar os companheiros, formar um círculo, sentar.
6. Plenário: comentar o exercício:
» O que foi mais difícil de executar?
» Do que gostou mais?
» O que pôde observar?
Comentário
É um trabalho alegre e divertido. Permite ao grupo expressar-se de modo diferente do habitual, percebendo as dificuldades que surgem quando são buscadas novas formas de expressão, principalmente corporais.
Esta dinâmica, geralmente, causa alguma resistência nos adolescentes do sexo masculino em relação a tocar outros do mesmo sexo. Essa dificuldade pode ser explorada pelo facilitador nos comentários do trabalho, a partir das colocações feitas pelos próprios jovens.

Alfredo López – stock.adobe.com
Técnica: Exercício da confiança

Lustre Art Group – stock.adobe.com
Fonte: Projeto Crescer e Ser
Objetivo: Fortalecer a confiança em si mesmo e nos companheiros.
Desenvolvimento
1. Formar trios. Dois participantes ficam frente a frente, com uma distância de mais ou menos um metro, pernas abertas, paralelas aos quadris, para dar maior sustentação ao corpo. O terceiro participante fica no meio, pés plantados no chão, de frente para um dos seus parceiros, e deixa o corpo movimentar-se como um pêndulo, para frente e para trás, sendo amparado pelos outros dois.
2. Revezar as posições, de modo que todos passem pelo centro.
3. Plenário: comentar sobre a dinâmica:
» Como se sentiu em cada posição?
» O que foi mais difícil?
» O que foi mais fácil?
» Quando estava no centro, conseguiu confiar nos seus parceiros?
» Quando estava amparando, conseguiu passar confiança para quem estava no centro?
4. Fechamento: o facilitador faz a síntese a partir dos comentários feitos, refletindo sobre a importância de confiar em si e nos outros.
Comentário
O que se apresenta como um simples exercício corporal é, na verdade, um diagnóstico sobre o nível de confiança grupal e individual.
Entregar-se sem temores aos outros componentes do grupo exige confiança. Por outro lado, pode ser fácil confiar em determinadas pessoas e em outras não. Alguns podem não confiar em ninguém, e outros não transmitir confiança aos demais.
Esses pontos devem ser explorados pelo facilitador enquanto os componentes do grupo vão respondendo às perguntas do plenário ou, se ele preferir, ao final, como fechamento do trabalho. O importante é que cada adolescente reflita sobre o seu nível de confiança em si e nos demais e em que medida é, ele próprio, uma pessoa confiável para os outros.
Este é um exercício que pode ser repetido após algum intervalo de tempo, como forma de avaliação, ou sempre que a questão da confiança for um ponto a ser discutido no grupo.
Técnica: Escolha cuidadosamente suas palavras

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Fonte: Projeto Adolescência Criativa Olodum (adaptação AEPV)
Objetivo: Expressar os pensamentos e sentimentos através do uso de frases que permitam uma boa comunicação.
Material: Papel ofício e lápis preto.
Desenvolvimento
1. Grupo em círculo, de pé.
2. Formar duplas, que devem se sentar espalhadas pela sala.
3. Dar, a cada dupla, uma folha de papel e um lápis. Pedir que listem todas as frases que ouvem frequentemente no seu dia a dia e que consideram agressivas, ofensivas ou que causam desconforto. Tempo para execução.
4. Pedir a cada dupla que, das frases escritas/listadas, escolham a mais forte para apresentar ao grupo.
5. Quando todas as duplas tiverem escolhido sua frase, pedir que encontrem uma forma clara e gentil de dizer a mesma coisa.
6. Cada dupla lê para o grupo a frase original e a frase transformada.
7. Plenário: comentar o que se descobriu ao fazer as comparações entre as maneiras diferentes de dizer a mesma coisa, refletindo sobre as diferenças entre as frases originais e as transformadas e os sentimentos após elas.
Comentário
Através deste trabalho, os adolescentes podem perceber formas diversas de dizer o que sentem sem ofender os outros. É possível aprender a referir-se ao sentimento alheio sem julgar, avaliar ou criticar os atos ou o jeito do outro.
O facilitador deve chamar a atenção do grupo para o fato de que qualquer pensamento ou sentimento pode ser expresso, desde que de forma respeitosa. É importante que os adolescentes percebam que frases agressivas ou em tom de acusação impedem o outro de ouvi-las, gerando uma atitude defensiva ou de ataque. A maneira mais eficiente de nos fazermos ouvir é expressar nossos sentimentos evitando julgamentos ou interpretações.
Técnica: percebendo o grupo

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Fonte: Projeto Memorial Pirajá
Objetivo: Promover a comunicação entre todos os participantes do grupo.
Material: Papel ofício e lápis preto.
Desenvolvimento
1. Grupo em círculo, sentado.
2. Cada participante recebe uma folha de ofício em branco, escrevendo o seu nome no alto dela.
3. A um sinal do facilitador, todos passam a folha para o vizinho da direita, para que este possa escrever uma mensagem para a pessoa cujo nome se encontra no alto da folha.
4. Assim, sucessivamente, todos escrevem para todos até que a folha retorne ao ponto de origem.
5. Fazer a leitura silenciosa das mensagens recebidas.
6. Plenário: comentar com o grupo o seu trabalho:
» O que foi surpresa para você?
» O que já esperava?
» O que mais tocou você?
Comentário
Esta atividade é muito rica e possibilita a participação de todos os componentes do grupo. A sua aplicação não se esgota nessa temática, podendo ser utilizada, também, na finalização de uma etapa de trabalho ou mesmo na conclusão do grupo.
É uma atividade que pode ser repetida em fases diversas do processo grupal, como forma de facilitar a comunicação e avaliar as relações entre os componentes.
Técnica: Dos sonhos à realidade

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Fonte: Feizi M. Milani e Márcia Lacerda
Objetivo: Partilhar sonhos individuais e coletivos.
Material: Folhas de papel metro e canetas Pilot.
Desenvolvimento
1. Grupo em círculo, de pé.
2. Formar duplas. Pedir que as duplas se espalhem pela sala e sentem-se.
3. O facilitador solicita que cada participante da dupla complete a frase “O maior sonho de minha vida é…”, compartilhando este sonho com seu par.
4. Quando as duplas tiverem concluído sua conversa, pedir que formem quartetos nos quais compartilhem resumidamente seus sonhos e completem a frase “Para tornar o meu sonho realidade, eu…”.
5. Juntar os quartetos, formando grupos de oito, solicitando que completem a frase “O Brasil dos meus sonhos…”.
6. Formar grupos de dezesseis pessoas para discutir “Para o Brasil chegar a ser o país que eu sonho, é necessário…”. Pedir que cada grupo escolha um relator, entregando-lhe uma folha de papel metro e uma caneta Pilot para escrever as conclusões do grupo.
7. Apresentação de cada grupo.
8. Plenário: Compartilhar observações e conclusões:
» O que mais lhe chamou a atenção durante as discussões sucessivas?
» O que aprendeu com o trabalho?
» Foi possível perceber semelhanças, diferenças e/ou contradições entre os sonhos pessoais e os sonhos para o País? Quais?
» Se o sonho pessoal de cada um do grupo se concretizasse, o Brasil se tornaria um país melhor? Como?
» Se os sonhos do grupo para o Brasil se concretizassem, a vida de cada um melhoraria? Como?
9. Fechamento: o facilitador aponta a interdependência entre os sonhos pessoais e os coletivos, chamando a atenção para a necessidade de cada indivíduo contribuir para a realização de um ideal maior em prol da coletividade.
Comentário
Este trabalho estimula os jovens a reconhecerem seus próprios sonhos, tanto os relativos à vida pessoal quanto os que dizem respeito à vida coletiva. Pode funcionar como um termômetro, medindo o grau de envolvimento dos adolescentes com seu futuro e com as questões do País.
Esta dinâmica pode ser aplicada como sensibilização para Dos sonhos à realidade II.
Técnica: Dos sonhos à realidade ii

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Fonte: Feizi M. Milani e Márcia Lacerda
Objetivo: Discutir a participação do adolescente na construção da sociedade.
Desenvolvimento
1. Formar quatro grupos.
2. Solicitar que cada grupo discuta a questão “Como posso contribuir para transformar o Brasil dos meus sonhos em realidade?”, tendo como enfoque contextos diferentes, indicados pelo facilitador:
» Minha relação comigo mesmo.
» Minha relação com a família.
» Minha relação com a escola.
» Minha relação com a comunidade.
3. Quando os grupos tiverem terminado a discussão, pedir que apresentem suas conclusões de forma criativa — dança, dramatização, música, mímica, jogral, etc. Marcar tempo para a preparação da apresentação.
4. Apresentação dos grupos.
5. Plenário: comentar as apresentações, evidenciando os pontos que mais chamaram a atenção.
6. Fechamento: o facilitador pontua para o grupo a importância do compromisso de cada um com a transformação do País, chamando a atenção para as ações práticas e o papel que os jovens são capazes de assumir perante a sociedade.
Comentário
Esta etapa do trabalho aproveita os sonhos dos adolescentes, trazendo-os para a realidade, propiciando uma reflexão sobre ações viáveis.
O uso de vários contextos amplia o olhar do jovem e aprofunda a discussão sobre o que ele é capaz de realizar para transformar o ambiente em que vive.
O facilitador pode realizar diversas variações, dependendo das necessidades do grupo, sempre enfatizando a importância das ações, por mais simples que pareçam ser.
SERRÃO, Margarida. Aprendendo a ser e a conviver. 2. ed. São Paulo: FTD, 1999.
