Edição 139
Espaço pedagógico
Sete maneiras de fechar uma escola
1 Síndrome do diretor da cocada preta
Você pode buscar maneiras de ajudar a comunidade e fazer o possível para que suas ideias sejam úteis e originais. Mas não é por isso que tem de achar que a sua escola é melhor do que todas as outras. Esse pensamento faz você estacionar e dá tempo e ferramentas para a concorrência agir e levar seus alunos embora.
2 Sem fronteira entre o pessoal e o profissional
No início da escola é aquela “migração”: jarras de água saem da casa do diretor direto para a sala dos professores. Aquela obra literária maravilhosa passa um tempo, a “migração” se inverte: quadros saem do hall de entrada para enfeitar a casa do diretor; um livro comprado para a escola vai passear na casa de um professor e não volta mais. Enfim, o educandário torna-se uma extensão da casa, e vice-versa. Enquanto isso, outras escolas colocam-se no mercado, usam uma postura profissional e ganham mais alunos.
3 Quem manda responde
Está aí uma característica inerente a todas as instituições fadadas ao fracasso; decisões centralizadas em uma única pessoa. Por mais que professores e coordenadores tentem argumentar, o diretor sempre dá a última palavra, sem levar nada do que ouviu em consideração. Vale lembrar que a educação é uma causa nobre e responsável pelos cidadãos de amanhã, por isso não pode ser deixada na mão de quem pensa que pode domesticá-la.
Escolas de sucesso ouvem todo tipo de crítica, esforçam-se para melhorar e nunca estão inteiramente satisfeitas com os progressos alcançados.
4 O cordão dos puxa-sacos cada vez aumenta mais
Se a diretoria não sabe ouvir pessoas que discordem de normas previamente estabelecidas, vai unir-se àquele pequeno grupo de coordenadores e professores que possuem a mesma opinião. Ora, uma pessoa que não é ouvida nem tem o seu direito à opinião respeitado vai trabalhar em outro lugar. Escolas de sucesso ouvem todo tipo de crítica, esforçam-se para melhorar e nunca estão inteiramente satisfeitas com os progressos alcançados.
5 Preocupação estúpida
Não adianta citar nomes de ex-alunos famosos e dizer que eles conseguiram o que queriam da vida porque contaram com a ajuda da escola. Se o discurso não for equivalente ao que os alunos encontram na sala de aula, quando alguém tentar elogiar a escola terá ao seu lado um aluno ou pai para dizer como as coisas são de fato e detonar com a propaganda.
6 Menosprezo às ameaças
Certos diretores acham que nada de mal pode acontecer, que todos os problemas já existiram e que outros não surgirão. Apenas escolas sem medo de dizer a verdade podem ganhar mais alunos. Empresas fadadas ao fracasso acreditam que “Está ruim para todo mundo”, fecham-se em seus mundinhos e vão à quebra em um prazo muito curto.
7 Deu certo para a minha avó
Uma das maneiras mais simples de fechar uma escola é apostar em medidas não utilizadas porque um dia, há muito tempo, elas funcionaram para alguém. Não adianta informatizar a escola se os recados, em vez de serem passados por e-mail, são mandados através de circular. Algumas escolas estão tão fechadas num mundo ultrapassado que não percebem os benefícios da interdisciplinaridade, por exemplo; ou utilizam-na apenas como fachada. A concorrência agradece.
Gestão Educacional. Editores: Fabiane Ariello/ Gustavo Rodrigues/ Renata Sklaski – Ano 4 – Nº40– setembro/2008. Humana Editorial Ltda.
