Edição 149
Refletindo
SEU FILHO DIFERENTE
Pe. Zezinho
Foi bonito concebê-lo.
Vocês dois o queriam mais do que qualquer riqueza.
E foi um mar de felicidade a notícia da gravidez, até aquele dia da outra notícia.
Santo Deus! Como doeu lá dentro.
Sim, vocês seriam pais,
mas pais de uma criança diferente: síndrome de Down.
Não fosse a paz do médico, da enfermeira, dos pais.
Se não fosse a palavra serena do padre, dos amigos.
Não fosse aquele casal que também passou por isso.
Não fosse o pai e a mãe que vocês já eram, tudo seria dor e tragédia.
Não foi!
Ele nasceu,
e aquele rostinho diferente,
aqueles olhinhos diferentes,
aquele serzinho humano
e feliz iluminou vocês a cada gesto que fazia.
Ensinou-lhes o sentido da esperança e a definição mais clara de pessoa.
Às vezes, ainda dói, em algumas perguntas estranhas ou gestos imaturos.
Como aquele casal insensível que olha e fala bobagem;
aquela criança ou aquela mocinha que não sabem como acolher o mistério.
Mas vocês sabem que seu filho é diferente, apenas diferente, anormal nunca, não mesmo.
Ele chora, responde e ri, abraça e beija e ama, e ri e chora e reage.
Compreende e apreende.
Se é mais devagar que os outros, que importância tem?
O que conta, ele tem: uma carga de amor enorme.
Afinal, o que é um ser humano?
Seja qual for a definição, ele preenche todos os requisitos.
E, pelo que vocês já viram, em certos aspectos, vai além do normal.
É capaz de muito mais amor do que muita gente de físico e cérebro perfeitos.
Aqueles olhos amendoados,
aquele rosto redondo,
aquele jeito de andar não mudam o fato de que seu filho é pessoa inteira.
Inteira e linda!
Sem exagero nem favor algum,
é feliz e os faz felizes.
Depois dele, todos, todos os familiares, sem exceção, ficaram mais humanos e mais meigos.
Ele fez isso. Por isso, vocês hoje assumem qualquer cansaço.
Por ele, tudo vale a pena. Seu filho é um ser iluminado.
Vocês, que vivem com ele,

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Sabem muito mais a respeito de luz.
Doeu e ainda dói, mas louvado seja Deus!
Afinal, diante do seu infinito mistério, somos todos da mesma síndrome.
Somos todos diferentes, com a diferença que, às vezes, amamos infinitamente menos do que esses olhos amendoados e profundos.
Se faz sentido? Eles acham que faz.
Eu nunca vi um deles que não fosse feliz.
E os seus pais costumam ser lindos, pacientes e sábios.
Vocês, por exemplo, agora, só falta-lhes uma coisa: abrir a boca e falar.
O mundo precisa ouvir vocês sobre o que é humanidade, porque disso vocês entendem.
Aqueles olhos amendoados são o seu diploma.
CD Pe. ZEZINHO, SCJ. Bênção da luz – poemas e melodias. Paulinas – Comep.
