Edição 150

Construindo mais conhecimento

Sugestões para a condução de grupos

Marcia Luz

A postura individual frente ao grupo, aliada ao conhecimento de algumas técnicas complementares, é muito útil para o facilitador, ajudando-o no seu desempenho.

Observe as sugestões a seguir na condução de uma reunião.

› Seja discreto ao se vestir, evitando que sua roupa mereça mais atenção do que o que você está dizendo.

› Ao entrar na sala, cumprimente as pessoas. Aprenda o nome delas e procure não as confundir. Chame-as pelo nome. Isso é sinal de respeito e cortesia.

› O condutor da reunião deve estar de pé e atento à sua movimentação, pois ela dinamiza a reunião e evita a monotonia. Por isso, procure movimentar-se no espaço disponível, evitando ficar parado por longo tempo no mesmo local.

› Faça contato visual com todos os membros do grupo; se possível, sorrindo. Evite desviar o olhar sistematicamente para o alto ou para baixo.

› Procure dar atenção a todas as pessoas; cuidado para não ficar voltado apenas para um dos lados do grupo. Evite olhar fixo sobre a mesma pessoa; isso, geralmente, constrange.

› Evite sair da arena ou distrair-se com alguma tarefa enquanto as pessoas discutem o assunto. Encerre a discussão estabelecendo ligações entre as contribuições pessoais, concluindo de forma participativa.

› Mantenha uma postura harmoniosa e evite gestos exagerados. Fale com energia e entusiasmo, num tom e volume de voz que sejam suficientes para que todos ouçam o que você fala.

› Evite interromper opiniões e perguntas, achando que já compreendeu o que a pessoa pretende expressar. Espere que ela conclua e só então comece a responder.

› Ao fazer perguntas, lance-as ao grupo todo. Evite direcioná-las para alguém em particular. A pessoa pode estar distraída ou simplesmente não saber a resposta. No caso de perguntas polêmicas, devolva-as para o grupo: “O que vocês acham?”

› Perceba as pessoas que estiverem pedindo a palavra. Se alguém estiver falando, tranquilize-a com um gesto de que ela poderá falar tão logo o primeiro termine. E o mais importante: não se esqueça de voltar a esse participante e lhe ceder a palavra.

› Fique atento à comunicação não verbal das pessoas. Saiba ser esportivo. Aceite alguma brincadeira e ria junto.

› Evite iniciar uma resposta usando “não”.

› Demonstre convicção naquilo que fala. Esteja preparado quanto ao conteúdo muito mais do que realmente é necessário.

› Em caso de conversa paralela, evite expor os conversadores. Se for possível, aproxime-se discretamente das pessoas. Ou, então, peça, de forma interessada, que eles compartilhem com o restante dos participantes.

› Evite mãos permanentemente cruzadas sobre a barriga, nos bolsos, para trás ou braços cruzados.

› Evite contar piadas em demasia. Cuidado com piadas depreciativas sobre credo, orientação sexual, etc. Além de soar desrespeitoso, é humilhante e pode abalar a confiança do grupo.

› Mantenha sua neutralidade nas questões delicadas. Evite o ímpeto de expressar sua opinião pessoal. Se for preciso, faça-o de forma elegante e respeitosa.

› Evite o uso de palavras de baixo calão, gestos obscenos ou expressões chulas. Isso geralmente denota falta de educação e polidez no trato com as pessoas.

› Esteja preparado psicologicamente para lidar com a espontaneidade do grupo: é comum ocorrerem manifestações inesperadas por parte de alguns participantes. Assuma a surpresa, mas mantenha sua firmeza na condução do grupo.

› Evite trazer exemplos que possam causar polêmicas ou desviar a atenção do tema que está sendo tratado, como, por exemplo: futebol, religião, política.

› Valorize a participação das pessoas de forma equilibrada e equânime, ou seja, não valorize demais a contribuição de um participante em detrimento de outro.

› Se a contribuição de algum participante estiver totalmente errada, evite ressaltar seu equívoco diante dos demais. Tente, a partir do comentário feito, sobrepor o correto.

› Evite expressões professorais como “Estou aqui para ensinar…”, “Vou passar um conhecimento sobre…”, ou similares.

› Cuidado com o uso de expressões que possam evidenciar insegurança ou falta de conteúdo, como “Tentarei explicar”, “Isso seria mais ou menos assim”, “Eu acho que”.

› Evite arrastar os pés. Além de demonstrar cansaço ou descaso, pode irritar as pessoas auditivas.

› Nunca diga que não teve tempo para preparar o material da turma ou que o material não é de boa qualidade. Essa franqueza, além de desqualificar o seu trabalho, pode evidenciar desconsideração com os presentes.

› Evite expressões que possam demonstrar algum tipo de descontentamento seu por estar ali.

› Aos atrasados, procure situá-los sobre o que você está abordando. Evite comentários ou expressões de desagrado. Nunca se sabe o motivo do atraso.

› Não exponha o participante atrasado. Se houver alguma sugestão do grupo neste sentido, mantenha-se neutro. E mesmo que a brincadeira seja instituída, evite participar; limite-se a sorrir.

› Teste todos os equipamentos com antecedência.

› Cuidado com os vícios de linguagem, como “né”, “tá”, “ham-ham” e similares, ou com o uso de expressões viciosas, como “tipo assim”, “a nível de”, “vou estar fazendo”, “então assim”, etc.

› Desenvolva a habilidade de ouvir. Tenha empatia. Ao ouvir, faça contato visual, faça perguntas abertas, repita palavras-chave, resuma e envolva as pessoas. O mau ouvinte, geralmente, é distraído, interrompe e não dá tempo para seu interlocutor pensar.

› Seja organizado no tempo. Se precisar consultar o relógio, faça-o de forma discreta. Se for extrapolar o tempo de aula, sinalize para a turma o quanto você irá se estender. As pessoas têm o direito de saber se podem ou não permanecer até o final. E seja qual for o tempo extra que você combinar, cumpra-o. É de extrema deselegância você se permitir outra expansão de horário.

› No término da atividade de treinamento, mostre-se gratificado pela experiência. Mantenha seu entusiasmo até a saída do último participante. Termine agradecendo a participação das pessoas, use palavras positivas, de fé e de aposta num futuro promissor.

“Cuidado com piadas depreciativas sobre credo, orientação sexual, etc. Além de soar desrespeitoso, é humilhante e pode abalar a confiança do grupo.”

LUZ, Marcia. Coach palestrante: torne-se um profissional 5 estrelas. São Paulo: DVS, 2017.

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