Edição 119

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Vacinar para não remediar

Alexandre Henrique da Silva Nunes

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A palavra vacina tem sua origem do latim vacca, que remete ao evento científico do século XVIII quando o médico e naturalista britânico Edward Jenner utilizou secreções contaminadas de vacas com varíola em um garoto para comprovar que o nosso corpo produz anticorpos (defesa). Somente em 1881, contudo, o cientista francês Louis Pasteur começou a desenvolver a segunda geração de agentes de imunização.

As vacinas são substâncias biológicas que estimulam o nosso corpo a produzir anticorpos. Em outras palavras, elas “ensinam” o corpo a identificar e combater os micro-organismos causadores de doenças. Temos vacinas para febre amarela, hepatite, sarampo, gripe, poliomielite (paralisia infantil) e outras enfermidades. No entanto, devido à resistência contra a vacinação, temos episódios lamentáveis em nossa história, como quando a vacina antivariólica se tornou obrigatória na província de São Paulo, mas só passou a ser utilizada em massa no final do século XIX em decorrência da resistência paulista; ou como em 1904, quando a população reagiu com protestos contra a imunização no Estado do Rio de Janeiro, episódio conhecido como Revolta da Vacina. Hoje, várias epidemias de gripe, febre amarela e malária continuam a ser propagadas pela população brasileira ainda não imunizada.

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Podemos elencar alguns motivos pelos quais os brasileiros estão deixando de se vacinar, como: a falsa sensação de que muitas doenças foram eliminadas e de que dispensam prevenção, as famosas fake news que aterrorizam a população e o esquecimento dos pais sobre a importância de imunizar os filhos. O cenário brasileiro propicia o reaparecimento de diversas doenças antes erradicadas; assim, males como a poliomvacina_injecao_corona_covid_AdobeStock_409763154_luxcor_[Convertido]-02ielite, o sarampo e a rubéola podem deixar marcas profundas na população.

A média, em 2018, de crianças vacinadas com menos de 2 anos no Brasil está entre 50% e 70%; no entanto, a meta do Ministério da Saúde era de vacinar acima de 90% das crianças. Uma consequência dessa redução no número de crianças vacinadas se tornou evidente com o surto de sarampo em Roraima e no Amazonas.

Apesar do cenário de descaso com a imunização, a estimativa é de que as vacinas já salvaram em torno de 50 milhões de vidas em todo o mundo e evitam, anualmente, a morte de pelo menos 1,5 milhão de crianças. Porém, a imunização não é restrita às crianças, é para todas as faixas etárias. Vá ao posto de saúde, atualize a carteira de vacinação, fique atento às campanhas e incentive o engajamento dos profissionais de Saúde. Precisamos, juntos, conscientizar e sensibilizar a população para a importância da vacinação.

 

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