Edição 119

Refletindo...

Carta de uma professora em crise

Hoje é dia 29 de setembro de 2020, terçamulher_triste_depremida_refletindo_AdobeStock_270618633_Mary_Long_[Convertido] à noite. Quando eu poderia imaginar me sentir assim?! Mais um sintoma de tantos que venho sentindo de uma ansiedade severa.

Sempre fui meio ansiosa, mas no dia a dia resolvia com biscoitos de chocolate, um bom filme ou uma noite com as amigas regada a uma cerveja gelada. Mas, ultimamente, isso não tem ajudado, até porque ficou difícil em meio à pandemia, não é mais possível uma social à noite com as amigas.

Os protocolos de segurança nos orientam a ficar em casa, mesmo com a rotina muitas vezes “maçante”, onde se arruma, varre, cozinha e limpa repetidamente. Sinto falta das minhas aulas, de rir com meus alunos, de um abraço apertado, um sorriso e um simples “obrigada”.

Com a pandemia, a ansiedade surgiu como um gatilho. Veio devagar, sem aviso, e, quando pude perceber, as semanas foram se tornando cada vez mais difíceis. Via-me preocupada em assistir tantos cursos, reuniões, lives e não dar conta. E a cada dia uma cobrança, mais uma planilha, mais uma reunião… além das demandas domésticas com meus filhos e meu pai (que realiza hemodiálise três vezes na semana). Em meio a isso, eu cada dia mais agoniada.

Veio a dor no peito, a falta de ar, o cansaço excessivo, a irritabilidade, a dor de cabeça, a insônia e os sintomas novos: pele quente e enjoos insuportáveis. Gosto de ficar só, ouvindo o silêncio, e, simplesmente, me pego a chorar. Sabe aquele choro que faz perder o ar? Que faz soluçar? São eles que têm me acompanhado durante a noite.

Procurei ajuda profissional, psiquiatra e psicólogo; estou fazendo atividades físicas; tenho bons amigos, que perguntam como estou, e minha querida irmã, que está sempre ao meu lado.

Só queria que vocês soubessem que não estão sós, queridos professores e todos aqueles que se identificam com o que estou passando. O segredo é se conhecer. Entender que você não está bem, que não pode enfrentar seus medos sozinho e que é preciso buscar ajuda. Tenho minha fé e faço “orações de socorro” (chamo-as assim por estar muito aflita).

Agora, após esse longo desabafo, estou me sentindo melhor. Espero que vocês se identifiquem e se sintam melhores também!

Desejo fé, esperança e amor por dias melhores!

G. Sousa

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