Edição 134

Em discussão

A importância da representatividade na escola

Helen Lúcia Ribeiro Vitória Ramos

Todas as pessoas têm alguém em quem se espelham, alguém que as inspira. Na maioria das vezes, os exemplos vêm de casa: pais e avós. Por vezes, o espelho é um herói ou mesmo um atleta famoso. Mas há determinado momento da vida, geralmente infância ou adolescência, em que essa figura é o professor.

É comum que crianças e jovens vejam seus professores como exemplo. Passam um bom tempo juntos, falam sobre diversos assuntos, riem, choram juntos. Uma relação construída muito além do conteúdo programático, muito além do livro.

Nesse contexto, ser capaz de se conectar com os estudantes é a base. E como alcançar a todos? Somos tão diferentes uns dos outros, temos gostos e manias tão distintas, torcemos para times opostos. O que fazer?

As crianças (todas as pessoas, na verdade) precisam se sentir representadas nos lugares onde estão e para onde querem ir. A representatividade ajuda cada um que se sente diferente (e somos!) a sentir que tem seu espaço onde quer que esteja.

Eu, quando criança, recordo-me de pedir à minha mãe (branca) um cabelo como o da âncora do jornal (também branca). Não havia, na mídia, espaço para o preto, senão como escravizado. Hoje, as crianças veem pessoas pretas em diversos lugares, ocupando diversos cargos. Existem âncoras pretas para inspirar as meninas e seus cabelos!

Ainda falando sobre mim: levei anos para aprender a cuidar de meu cabelo e, durante a pandemia de covid-19, passei a experimentar penteados novos. Para minha surpresa, conquistei um grupo de alunas que são como eu e têm o cabelo como o meu. Conquistei também aquelas com cabelo diferente, que se apaixonaram pelos penteados. Percebi como um “simples” cabelo mudou a visão das crianças. Em poucas semanas, várias delas desfilavam com o novo penteado.

O cabelo é, de fato, um detalhe. A verdade é que podemos nos conectar de diversas formas: através de um anime, do futebol, de uma música.

Mas “detalhes” como o cabelo, a cor da pele, o gênero, a religião, a altura e o peso foram, por muitos anos, motivo para preconceito e distinção. Vi casos em escolas, partindo de professores! Tenho certeza de que todos os educadores conhecem (se não vivenciaram) ao menos uma situação de discriminação. É verdade que avançamos. O caminho a ser percorrido, porém, ainda é longo. E nós educadores precisamos aproveitar a oportunidade que temos de ser espelho para inspirar nossos jovens positivamente.

Alunos pretos que têm uma professora preta com duas graduações, duas especializações, pós-graduanda, que fala outro idioma fluentemente, que é embaixadora de um app educacional acreditam que podem fazer o mesmo ou mais, pois estão representados. Alunos com TDAH, TEA, cadeirantes, de qualquer credo e de qualquer gênero precisam ver que podem fazer mais. E podem!


Helen Lúcia Ribeiro Vitória Ramos é bacharela e licenciada em Pedagogia; licenciada em Inglês; pós-graduanda em Educação Digital; Especialista em Virtual Teacher e em Teaching English as a Second Language; embaixadora, no Brasil, do Kahoot!; professora no Colégio Ouro Preto, em Nova Iguaçu/RJ; e leciona Inglês, Informática e Educação Financeira.


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