Edição 135

Sob um novo olhar

A questão dos limites

Nesta seção, traremos conteúdos já publicados na revista Construir Notícias, porém com temas que permanecem atuais.

Não restam dúvidas de que hoje há insegurança sobre a educação dos filhos. Existem teses e teorias diversas que apontam direções, muitas vezes, opostas e que criam um dilema para os pais: como educar? Qual é o caminho correto?

Uma coisa parece ser certa: as atitudes firmes e coerentes são fundamentais na educação dos filhos.

Limites, regras e vida em sociedade

Por mais que lhe custe ouvir falar deste assunto, não se esqueça de que os limites e as punições são uma constante na nossa vida. Por exemplo: um motorista que segue acima do limite máximo de velocidade permitido será multado, ou seja, punido.

Viver em sociedade significa obedecer a regras. Muitas vezes, não percebemos, mas estamos, constantemente, a respeitar e a definir limites. Não seria possível viver coletivamente sem eles. Por isso, a criança precisa aprender, desde cedo, como se comportar em grupo.

Naturalmente, é dever dos pais atender aos pedidos dos filhos, mas sempre dentro de determinados limites impostos pela sociedade e pela educação dos próprios progenitores. É preciso saber dizer não de uma forma positiva e coerente. Caso contrário, vamos interferir no desenvolvimento correto da criança.

Saber dizer não

Dizer não a uma criança é uma atitude, dentro do processo educativo, necessária e saudável. A criança precisa compreender que existem regras, que tudo tem um momento certo e que há hora para brincar, dormir, estudar, etc. Quando a criança tem liberdade total, tem dificuldade em apreender e aceitar regras e limites.

A falta de firmeza dos pais leva a criança a impor a sua vontade. Então, é ela que determina o que vai comer, o que vai vestir, a que programa assistir na TV, como deve ser mobiliado seu quarto, etc. Habituados a impor a sua vontade, a criança e o adolescente não aceitam ser contrariados.

Dizer não a uma criança no momento certo não é prejudicial. Muito pelo contrário. Essa pequena palavra é necessária, uma vez que a criança ainda está construindo a sua concepção do mundo. Ela precisa conhecer os limites, saber distinguir aquilo que pode ou não ser feito para conseguir viver em sociedade.

Ao contrário do que muitos pais pensam, a criança é capaz de entender um não. A recusa não gera traumas, mas tem de ter uma razão e coerência. Ao proferir a negação, o adulto mostra que se preocupa com a criança, e, para ela, isso vale muito mais do que muitos brinquedos ou a realização de todas as suas vontades. Ela poderá chorar ou fazer birra, mas isso faz parte da sua socialização.

Assim, o adulto deve pensar no bem da criança quando tiver diante de si uma situação em que precise negar-lhe algo. Pode ser um pouco difícil dizer não, mas é preferível ver uma cara triste por apenas alguns momentos do que testemunhar problemas mais graves, que poderão fazer a criança sofrer mais tarde.

Os limites, os castigos e a culpa

Os limites ensinam a criança a respeitar o próximo, facilitando a socialização, por isso devem fazer parte da educação. Uma vez que vivemos em sociedade, é necessário haver respeito pelas regras pelas quais esta se rege.

Quando um limite não é respeitado, é importante que haja um “castigo”, que não deve ser físico. Pode-se, por exemplo, proibir uma brincadeira ou um passeio de que a criança goste. Mas atenção: a punição deve ser sempre equivalente à gravidade do ato cometido e aplicada de imediato.

É importante deixarmos claro que limite é diferente de repressão. O primeiro atua sobre a criança através dos castigos, enquanto a repressão o faz através da culpa. O castigo age sobre o ato; e a culpa, sobre a pessoa.

Durante o desenvolvimento da criança, estabelecer e conhecer os limites é saudável quando estes se referem apenas aos atos, não desmerecendo ou desvalorizando a pessoa.

A criança não deve se sentir culpada pelos seus atos, mas é preciso ser-lhe imputada a responsabilidade por estes.

Alguns limites – conselhos

Assim, aqui vão alguns conselhos para conseguir colocar limites de uma forma positiva:

• Não autorize ou proíba conforme os seus desejos pessoais e o estado de espírito do momento.
• Demonstre que os adultos também têm limites a respeitar.
• Justifique os motivos do limite. “Não faças isso porque eu não quero ou porque eu não gosto” não é justificação. As razões devem ter a ver com segurança e/ou com respeito.
• Não dê castigos físicos — rapidamente deixam de surtir efeito.
• Diga qual punição dar quando um limite é ultrapassado e não deixe de a executar.
• Dê castigos brandos para atitudes pouco graves e castigos pesados para atitudes graves.
• Deixe claro que a punição corresponde ao ato, e não à pessoa.
• Repita um não quantas vezes for necessário.
• Use a sua autoridade sem humilhar. Use da afetividade para impor limites.

Dar o exemplo – ajustá-lo à criança/ressalvar a diferença

A criança precisa de parâmetros. Os adultos são responsáveis diretos no que diz respeito à sua aprendizagem, porque as crianças buscam neles um reforço, seja ele negativo, seja positivo. Por isso, é preciso estar atento aos comportamentos que apresentamos.

Lembre-se de que os nossos modos são imitados pelas crianças. Dizer que uma atitude não é correta e, mesmo assim, fazê-la, com certeza, deixará a criança insegura; ela não acreditará no que lhe é dito e fará exatamente o que não deveria, já que ela aprende muito mais pelo que vê do que pelo que ouve.

• Explique sempre quando e por que as suas ações lhe são permitidas e não o são à criança. Aponte razões de capacidade, idade, segurança, adequação ou responsabilidade.
• Nunca tenha medo de dizer não, mas explique sempre o porquê.
• Deixe a criança colaborar, na medida do possível.
• Quando e sempre que possível, ensine.

Leia mais na edição n. 30

 

Disponível em: https://escolas.madeira-edu.pt/eb1pegarachico/Escola/Interesses/Pais/tabid/8210/Default.aspx. Acesso em: 06 dez. 2023.

Revista Construir Notícias, edição n. 30; setembro/outubro 2006.

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