Edição 135

Espaço pedagógico

Entenda o que é o transtorno opositivo desafiador (TOD)

Fizemos um compilado de informações de alguns sites sobre o assunto TOD para levar aos nossos leitores mais conhecimento acerca do tema apresentado.

O que é TOD?

“Isso é birra, é coisa de criança.”

Nem sempre.

As crianças estão constantemente aprendendo a lidar com seus sentimentos e reagir às situações do dia a dia. Durante esse processo, é normal que apresentem alguns sinais de estresse.

No entanto, quando esses comportamentos se tornam recorrentes, podem ser um indicativo de que a criança está enfrentando algo mais delicado.

O transtorno opositor desafiador (TOD) é identificado por meio de descontrole emocional, desobediência excessiva, comportamento agressivo e dificuldades cognitivas.

Basicamente, a criança não gosta de ser contrariada (por isso o nome opositor, ou opositivo), daí podem surgir muitas angústias perante os desafios diários.

Os primeiros sinais desse transtorno costumam aparecer durante a infância, especialmente na fase de aprendizado.

As características do TOD podem aparecer em qualquer momento da vida, mas é mais comum entre os 6 e 12 anos.

A ligação do TOD com o TDAH é frequente (50% dos casos) e deve ser observada em todas as crianças para que as ações sejam tomadas e os problemas de aprendizagem e o baixo rendimento escolar sejam prevenidos.

Além disso, o ambiente doméstico costuma ser difícil, pois os pais discutem quanto ao modo de educar e conduzir a criança e de como estabelecer limites. Porém, evidências mostram que existem fatores genéticos e neurofisiológicos predispondo o seu desenvolvimento.

Por isso, o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), publicado pela American Psychiatric Association, lista os critérios para o diagnóstico de TOD, que incluem questões emocionais e comportamentais que duram pelo menos 6 meses.

Quais são os sintomas mais frequentes?

Existe uma relação de características que os adultos devem analisar e ver com que frequência são manifestadas pelas crianças. São elas:

• Irritação e acessos de raiva.
• Agressividade.
• Muita discussão com figuras de autoridade.
• Desafios de regras.
• A criança faz coisas de propósito para aborrecer outras pessoas.
• Culpa os outros pelos erros.
• Sente-se ofendido com facilidade.
• Expressa-se por meio de respostas raivosas quando se sente contrariada.
• O pequeno se mostra rancoroso e vingativo.
• Impaciência.
• Dificuldade em cumprir pedidos ou regras.
• Irritabilidade constante.

Como saber se a criança tem TOD?

Um detalhe que pode contribuir é observar a constância dos comportamentos citados acima. Afinal, garantir a qualidade de vida das crianças é a prioridade de todos nós, correto? Assim sendo, devemos nos perguntar:

• Esses comportamentos acontecem sempre?
• Só de vez em quando?
• Quais os motivos?

Com isso, o diagnóstico de TOD é feito quando os sintomas persistem por mais de 6 meses e acontecem em vários ambientes: em casa, na escola, com os amigos, etc. Então, para saber mesmo se a criança tem TOD, é preciso observar todos esses pontos.

De qualquer forma, o diagnóstico deve ser feito por um médico especialista, o que não diminui a importância da observação pelos pais e professores. Inclusive, são eles quem dão os primeiros passos para encaminhar a criança aos profissionais de saúde.

Qual é a causa do TOD?

É difícil apontar uma possível causa para o TOD, ainda mais por ele se manifestar tão cedo, ainda na infância.
Mas é importante considerar que os comportamentos manifestados são frequentemente uma resposta à frustração, raiva e pressão excessiva.

Podemos ligar o transtorno a elementos que podem contribuir para o seu desenvolvimento, como: fatores biológicos, disfunções cognitivas, desafios no ambiente familiar e experiências traumáticas.

Conheça alguns tratamentos para crianças com TOD

O tratamento efetivo para crianças com TOD envolve uma abordagem multimodal, que pode incluir o uso de medicamentos e terapia comportamental, além de intervenções de treinamento de habilidades sociais e ajustes no ambiente escolar ou doméstico.

Terapia comportamental

A terapia comportamental é uma abordagem efetiva para o tratamento do TOD em crianças. Ela envolve técnicas de reforço positivo para melhorar o comportamento e de treinamento em habilidades sociais para auxiliar as crianças a se comunicarem de maneira mais eficaz com os outros. Além disso, estimula o uso de estratégias para manejo comportamental, que ajudam as crianças a controlarem seus impulsos.

Intervenções de treinamento em habilidades sociais

O treinamento em habilidades sociais pode auxiliar as crianças com TOD a aprimorarem sua capacidade de se relacionar com outras pessoas e lidar com situações sociais desafiadoras.

Isso inclui técnicas como aprender a lidar com as emoções, desenvolver habilidades de resolução de conflitos e melhorar as habilidades de comunicação.

Terapia familiar

A terapia familiar pode ser benéfica para auxiliar os pais e outros cuidadores a compreenderem e a lidarem com os desafios comportamentais das crianças com TOD. Isso inclui ajudar os pais a aprenderem técnicas de manejo comportamental e oferecerem suporte emocional.

Também é importante auxiliar as crianças a estabelecerem relacionamentos saudáveis com sua família e seus amigos.

Terapia individual

Além da terapia comportamental, as crianças com TOD também podem se beneficiar da terapia individual. Ela pode auxiliá-las a lidar com questões emocionais e comportamentais relacionadas aos seus transtornos.

O transtorno opositor desafiador pode parecer difícil, mas, quando há um ambiente com bastante empatia, carinho e amor, a criança se sente mais confortável e acolhida.

Como trabalhar o transtorno desafiador opositivo? Quatro dicas para lidar com o TOD

1. Tenha clareza com as regras. As regras podem ser um problema para as crianças com TOD; por isso, no momento de estabelecê-las, é preciso trabalhar com clareza e objetividade.
2. Faça elogios.
3. Conheça os gostos das crianças.
4. Não se esqueça de ser exemplo.

Como descrever um aluno com TOD?

São alunos que se apresentam e interagem de maneira grosseira, como se fôssemos seus inimigos. São alunos que parecem não ter qualquer educação nem respeito, são agressivos, violentos, inquietos e, consequentemente, com muitas falhas em seu processo de aprendizagem. O TOD acomete crianças e adolescentes.

Entenda como funciona o teste para diagnosticar o TOD

Percebeu algum desses sintomas com certa frequência? É interessante entrar em contato com um psicólogo ou psiquiatra.

Para o diagnóstico, é necessária uma pequena investigação:

• Isso acontece sempre ou só de vez em quando?
• Existe motivação ou é inesperado?

Além disso, é importante analisar o conjunto de comportamentos e pensamentos da criança, afinal esse transtorno pode apresentar diversos sintomas.

A prioridade é que seja investigado o quanto antes, pois ele afeta o desenvolvimento psicológico e cognitivo da criança, podendo trazer diversos prejuízos.

A prioridade é que seja investigado o quanto antes, pois ele afeta o desenvolvimento psicológico e cognitivo da criança, podendo trazer diversos prejuízos.”

Veja alguns pontos importantes sobre o TOD

• Nem toda criança com TOD se comporta da mesma forma.
• Os traços de personalidade e padrões de sintomas podem variar conforme o nível de gravidade.

O transtorno pode ser classificado como:

1. Suave: Com características que ocorrem apenas em um ambiente, como apenas em casa, ou na escola, ou com os amiguinhos.
2. Moderado: Com características que ocorrem em, pelo menos, duas situações.
3. Forte: Sinais podem aparecer em três ou mais ambientes.

O diagnóstico e o tratamento precoce podem prevenir que o caso se agrave, evitando que a criança apresente agressividade em mais ambientes.

TOD e autismo: quais são as diferenças?

O transtorno do espectro autista (TEA) é facilmente confundido com o TOD por apresentarem características parecidas. Eles são casos diferentes, mas podem estar associados. O transtorno opositor desafiador pode ser uma comorbidade em casos de autismo.

Além disso, o autismo tem como uma das suas causas a genética, o que não é o caso do TOD.

As crianças desse espectro podem manifestar, ao longo do desenvolvimento, sintomas de oposição e desafio devido às dificuldades na regulação emocional, baixa tolerância à frustração e inflexibilidade.

E o tratamento para ambos é parecido, sabia?

Veja as diferenças entre o TOD e o TDAH

Assim como no caso do autismo, o TDAH pode ser um caso genético, o que o diferencia do TOD.

Mas esses dois transtornos apresentam mais diferenças entre si.

Enquanto uma criança com TOD exibe certos padrões comportamentais, especialmente agressividade e irritabilidade, as crianças com TDAH não têm sempre o mesmo comportamento.

Qual deve ser a postura dos pais?

O transtorno provoca conflitos e brigas, seja em casa, seja na escola, seja em outros ambientes de convívio da criança. Mas o primeiro ponto é entender que não é culpa dela.

Crianças com TOD têm dificuldade em controlar suas emoções e acabam sendo mais reativas do que deveriam. Rotular a criança como “briguenta, chata, malvada” pode agravar a situação, trazendo prejuízos para o seu crescimento. Cuidado com as palavras!

O exercício da compreensão e empatia por parte das pessoas em seu entorno é crucial para aumentar o conforto da criança perante os acessos de raiva.

TOD: como lidar?

Algumas dicas podem auxiliar no convívio social da criança quando ela apresentar crises:

1. Atenção às palavras: Em momentos de crise,
a agressividade e a punição podem tornar os conflitos ainda mais difíceis. Adote uma abordagem firme, olhando nos olhos da criança, mas com respeito.
O diálogo é fundamental!

2. Atenção à reatividade: As crianças têm os adultos como inspiração. Se as pessoas se tratarem com agressividade e palavras rudes no ambiente onde vivem, elas vão incorporar essas atitudes no seu comportamento. Cuidado!

Como estimular uma criança com TOD?

• Advertir comportamentos com cautela. Quando a criança iniciar comportamentos que chamem a atenção, a melhor forma é não a repreender na frente dos colegas!
• Reforce a inclusão da criança nas aulas.
• Conquiste a confiança da criança.
• Adaptações fazem toda a diferença nas aulas.

Atividades para crianças com TOD

Algumas atividades podem ajudar a dispersar a irritação da criança, deixando-a calma e entretida. Vamos conferir?

Atividades físicas – Correr bastante, jogar bola, dançar, tudo isso faz com que ela gaste suas energias se divertindo e se concentrando nessas brincadeiras.

Música – A música tem o poder de concentrar a atenção e estimular o cérebro de uma criança com TOD, sem contar que é muito divertida. Ela pode cantar, ouvir, tocar um instrumento, como a sua imaginação mandar!

Arte – Pinturas, desenhos e brincadeiras com massinha de modelar são boas opções. Além de também ajudarem na concentração, podem até despertar um novo hobby.

Animais – Cuidar de um pet ajuda a aliviar o estresse e a ansiedade das crianças. Caso não tenham restrições, que tal brincar com um ou até mesmo adotar?

Referências

https://www.ninhosdobrasil.com.br/TOD
https://blog.rhemaeducacao.com.br/como-saber-se-a-crianca-tem-o-transtorno-tod/
https://institutoneurosaber.com.br/entenda-o-que-e-o-transtorno-opositivo-desafiador-tod/
https://drauziovarella.uol.com.br/pediatria/tod-entenda-o-que-e-o-transtorno-opositor-desafiador/

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