Edição 135

A fala do mestre

Vivência de professor

Lourdinha Cunha

Sabe, professor, este nosso “papear descontraído” tem se tornado uma experiência muito interessante para mim. Nunca tive pretensões de escrever para uma revista, mas foi uma oportunidade que surgiu, e eu estou aqui para, aos poucos, ir trazendo algumas das minhas vivências de professor. Por que estou chamando professor? Porque acho que não combina individualizar: professor ou professora. Na verdade, somos únicos! Únicos, aqui representados pela 1ª pessoa do plural (nós), com os mesmos interesses, os mesmos objetivos, com encantos e desencantos, mas com o mesmo desejo de que nossos alunos alcem voos e descortinem o mundo do conhecimento, com a certeza de se tornarem vencedores. Por sermos professores e por causa da preocupação de que tudo corra bem neste novo ano letivo é que resolvi falar um pouco das lições que aprendi com a leitura de um livro chamado Dibs: em busca de si mesmo, de Virginia M. Axline. Leitura esta que me trouxe grandes ensinamentos, que se tornaram meu “norte” para bem conduzir a sala de aula e ter uma convivência alegre e harmoniosa com os meus alunos.

Já li esse livro há um bom tempo, mas ele nunca deixou de ser tão atual! Fiz alguns registros que deixarei para vocês, mas antecipo o meu aprendizado: o quanto devemos ser cuidadosos e generosos com nossos alunos, valorizá-los para que se sintam pessoas queridas e respeitadas. Quão importante é saber ouvi-los, respeitar o tempo de cada um e, acima de qualquer coisa, dar-lhes confiança para que se aproximem e você tenha condições de conhecê-los melhor, ajudá-los a combater seus medos, as suas inseguranças e, quem sabe?, suavizar as suas angústias! Quanta coisa há por trás de uma criança inquieta demais, agressiva, desinteressada ou, ao contrário, quieta demais, apática! Não devemos fazer julgamentos prévios, e, aqui, eu lembro a autora do livro: “Não julgue uma criança antes de deixar aberto um canal de comunicação para que ela se revele sem que seja preciso você acrescentar algo”.

Fica para vocês a sugestão dessa leitura e alguns trechos muito importantes:

Na verdade, nunca sabemos o quanto do que apresentamos a uma criança é por ela aceito. Cada uma tem seu próprio caminho para integrar o novo conhecimento na sua estrutura de experiências, na qual se apoia na busca e construção do seu mundo.”

 

Não há uma experiência isolada que justifique o comportamento de uma pessoa, há sempre uma cumulação de experiências entrelaçadas com suas emoções.”


Lourdinha Cunha é formada em Pedagogia, Especialista no Ensino Fundamental Anos Iniciais, com experiência de 48 anos como professora do Ensino Fundamental I.

cubos