Edição 115

Em discussão

Quem cuida de quem cuida? Alongamento e meditação como cuidados físico e mental do professor

Apolinário da Cunha

Resumo

Os efeitos das condições de trabalho vão além do trabalhador, determinando, muitas vezes, prejuízo à saúde física e mental do profissional do magistério. Dessa forma, é evidente o aparecimento cada vez maior de doenças relacionadas ao trabalho, afetando tanto a saúde física quanto mental do profissional. Nas escolas brasileiras, são observáveis deficiências de natureza ergonômica, organizacional e de fatores de cuidados psicossociais. Pesquisas recentes apontam um aumento do adoecimento tanto físico quanto mental dos professores brasileiros de forma geral. Dessa forma, faz-se necessária a intervenção e o desenvolvimento de ações voltadas para a saúde integral do professor de todas as áreas nas escolas, no intuito de reduzir e/ou eliminar fatores produzidos pela atividade docente que podem trazer repercussões negativas sobre a saúde dos referidos profissionais, tão importantes para o desenvolvimento de nossa nação. Nesse sentido, destaca-se a importância de se promover ações que atendam às necessidades de promoção e cultivo de saúde física e mental dos nossos professores brasileiros. Responder à questão “Quem cuida de quem cuida?”, sobretudo no aspecto emocional/mental, é
uma urgência premente.

Palavras-chave: Professor,
cuidado, saúde.

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Introdução

O alongamento é um elemento promotor de saúde importante. Ele desacelera o corpo e diminui a tensão nos músculos, prepara cartilagens, articulações e músculos. O alongamento também traz benefícios para a saúde de quem não pratica exercícios. A prática de exercícios de alongamento, assim como a realização de atividades físicas regulares, promove ganhos significativos na promoção de saúde e no bem-estar físico e mental.

São múltiplos os benefícios do alongamento:

• Melhora a postura.

• Relaxa a musculatura.

• Diminui as cãibras.

• Previne lesões.

• Aumenta a flexibilidade.

• Alivia dores.

• Melhora o bem-estar geral.

Os benefícios do relaxamento:

O relaxamento é uma técnica física que auxilia nos estados de estresse e tensão muscular e ainda atua como meio revigorante que beneficia sua saúde física, mental e emocional. Para fazer relaxamento, o ideal é estar num ambiente confortável, aquecido, à meia-luz e silencioso.

1. Melhora a disposição

O relaxamento, tal como o exercício físico e outras atividades que proporcionem prazer, evita e contraria os efeitos do estresse, pois promove a libertação de endorfinas — neurotransmissores que provocam a sensação de bem-estar.

2. Melhora a saúde do coração

Segundo a American Heart Association, vários estudos demonstram que o estresse, à semelhança da má alimentação e do sedentarismo, é um fator de risco para a hipertensão e doenças cardiovasculares. Para prevenir e combater os efeitos do estresse, é importante ter momentos de relaxamento, que ajudam a baixar os valores de tensão arterial e de colesterol e regularizam o ritmo dos batimentos cardíacos, preservando a saúde do coração.

3. Melhora a memória

Um estudo realizado em ratos de laboratório e publicado no jornal científico Neuron demonstrou que o estresse crônico danificava áreas do cérebro associadas ao pensamento abstrato, à aprendizagem e à memória. Em simultâneo, está já comprovado cientificamente que o estresse aumenta a produção de proteínas do cérebro associadas à doença de Alzheimer, podendo acelerar o desenvolvimento desta.

4. Reduz o risco de depressão

A presença prolongada de cortisol (hormônio do estresse) no nosso organismo pode reduzir os níveis de serotonina e dopamina — níveis baixos desses neurotransmissores estão associados à depressão. Uma revisão científica a vários estudos que se debruçaram sobre o comportamento do cortisol em diversas situações permitiu apurar que as massagens de relaxamento provocam o aumento dos níveis de serotonina e de dopamina.

5. Reduz a tensão muscular e alivia a dor crônica

O estresse aumenta a tensão muscular. Por sua vez, segundo a American Chronic Pain Association (ACPA), a tensão muscular aumenta a dor crônica.

O relaxamento é eficaz para reduzir a tensão muscular ao diminuir os níveis de cortisol, descontraindo os músculos e aumentando a sensação de bem-estar.

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Quem cuida de quem cuida? Esta é a problemática principal que motivou o presente artigo. Para Assunção (2005), Vianello (2008); Gama (2008), Bastos (2009), Campos (2009), Carlotto, Pizzinato (2013), dentre outros, a “saúde do professor” é um fenômeno novo. Pesquisas recentes têm apontado que a saúde do trabalhador docente é cada vez mais delineada a partir de situações e estilo de vida associados a motivos variados de saúde, do cansaço físico de ficar em pé por várias horas ministrando aula, do uso excessivo da fala, da estrapolação e do esforço mental, dentre outros.

O cotidiano escolar, da maneira atual em que se apresenta, tem atingido de forma preocupante os profissionais do magistério, favorecendo o adoecimento físico e mental dos mencionados profissionais, considerando-se as tensões em sua prática diária. Os fatores apresentados são diversos, que vão do excesso de trabalho à desvalorização do profissional, de poucos recursos didáticos à superlotação nas salas de aula, dentre outros. Encontrar estratégias que amenizem as situações expostas em vista da promoção de saúde dos docentes do Brasil é o motivo deste artigo, que apresenta em seu bojo o alongamento corporal e a meditação como fatores promotores da saúde física e corporal a serem desenvolvidos no ambiente escolar como práticas regulares. Professores motivados tendem a motivar seus alunos, além de tornar o ambiente escolar mais agradável e melhor de conviver em todos os aspectos. O professor de Educação Física, valendo-se de seus conhecimentos fisiológicos, anatômicos e de elementos diversos, pode e deve favorecer de forma prática atividades como o alongamento e a meditação, promovendo e mantendo a saúde integral de todos aqueles que cuidam — os professores.

Referencial teórico

Necessário se faz no contexto atual repensar e criar momentos de alongamento, relaxamento e desaceleração no ambiente escolar, de modo especial na sala dos professores, com enfoque em suas tensões mentais e físicas, criando diversos momentos para o uso de técnicas de relaxamento e alongamento corporal. Embora sejam poucas as pesquisas que abordem a referida temática, este é um campo a ser considerado, pois, enquanto os professores cuidam de tantos alunos, faltam-lhes cuidados necessários para sua prática diária. Seja por parte da própria escola, por não conseguir enxergá-lo como necessitado também de cuidados, seja pelo excesso de exigência de resultados a serem apresentados. Oportuno se faz abordar tal assunto, verificando-se as necessidades docentes, referentes ao quesito saúde física e mental, com o objetivo de compreender o sentido das estratégias de alongamento e relaxamento a serem utilizadas, havendo comprovação das reais necessidades devidamente pesquisadas. Segundo Gil, “O objetivo fundamental da pesquisa é descobrir respostas para problemas mediante o emprego de procedimentos específicos” (GIL, 2008, p. 26a). Os procedimentos metodológicos científicos que serão utilizados nesta pesquisa social serão de abordagem qualitativa. Em Gil (2008, p. 26b), observamos que “A realidade social é entendida aqui em sentido bastante amplo, envolvendo todos os aspectos relativos ao homem em seus múltiplos relacionamentos com outros homens e instituições sociais”. O referencial teórico foi desenvolvido com base em pesquisa bibliográfica que, compreendida por Severino (2010), se realiza a partir do registro disponível, decorrente de pesquisas anteriores, em documentos impressos, como livros, artigos, teses, etc.

O método de intensificação do trabalho vivido pelos docentes, especialmente das escolas públicas municipais e estaduais brasileiras na atualidade, além de comprometer a saúde mental e física dos professores de forma geral, pode pôr em risco a qualidade da educação, considerando-se que tais profissionais se encontram em constante situação de sobrecarga no seu agir profissionalmente, sendo, portanto urgente, uma atuação externa que vise também a qualidade de vida dos professores, pois são eles os cuidadores por excelência dos alunos de todas as escolas brasileiras.

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